22 de julho de 2024

CRÔNICA – Atravessar a feira e estacionar em frente aos Correios (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação, sitepa4

 

Por Francisco Nery Júnior    

Uma Hégira, Via Crucis e uma penitência aos justos. Sacrifício imposto – que poderia ter sido evitado. Lá atrás, Maomé, que não era bobo, prevendo o pior, arrumou a trouxa e partiu para Medina. Fundou ume religião e é endeusado por milhões de muçulmanos.

Em Paulo Afonso, perdemos a chance de imitarmos Maomé. O clarim soou nos seus ouvidos e ele deu no pé. Trombonamos e batemos os tambores (no caso, da paz), mas não fomos ouvidos. Nos ignoraram como reles cantadores de sonhos impossíveis.

O fato é que tínhamos que ir à agência dos Correios . Melhor dizendo, a mulher tinha que ir. Fim de semana e o calvário para vencer o percurso. Era dia de feira grande. Vencida a penitência, alcançamos, finalmente cansados e saturados de paciência, os arredores da agência postal. Olhamos para um lado e olhamos para o outro. O que conseguimos enxergar – a nossa vista já estava comprometida pelo desânimo -, foi uma abundância de placas de estacionamento proibido. Não havia onde estacionar. As minguadas três vagas em frente ao prédio estavam ocupadas por uma jamanta abençoada da empresa a recolher as malas postais.

Lá atrás, não ouviram os montadores da cidade os clamores dos seus anciãos. Vale lembrar que as nações mais bem sucedidas do mundo, mais felizes em outras palavras, são aquelas que ouviram os mais velhos; os mais experientes, os mais testados, os mais calejados.

Havia que se acantonar a Polícia Militar, gloriosa mantenedora da ordem pública e credora dos nossos agradecimentos.  De um grupo pioneiro de praças, meia dúzia deles, agora tínhamos uma companhia que breve seria um batalhão. A acomodação do contingente agora digno de uma cidade que explodia em crescimento, se impunha. Talvez sem muito cuidado, olharam para um canto e para outro e a decisão da escolha sobrou para a área bem atrás da Feira Grande.

Soamos as nossas trombetas. A área, na nossa visão, deveria ficar reservada para a expansão da feira e para algum tipo de assistência aos produtores da área rural. Sonhamos com acomodações, pontos de acolhimento para os feirantes e coisas que valem a pena serem sonhadas. A PM, na nossa cabeça, mereceria coisa bem melhor. Além da ponte, a ideia se sedimentava na nossa cabeça, o deslocamento da tropa de choque ficaria facilitado. O socorro às comunidades rurais e às cidades vizinhas seria mais rápido em casos de investidas dos fora da lei. A área para o aquartelamento seria bem maior – como merecem os nossos policiais. São eles que garantem a nossa segurança. Eles nos defendem com a própria vida. A cada dia, um tomba no cumprimento do dever, abatido, pode ser, por algum insano atrás de uma mera cervejinha.

Hoje penamos. Não nos quiseram ouvir, nós outros simples pagadores de impostos que dobram, cada vez mais, a nossa espinha dorsal. Quedamos ante a fúria arrecadadora do Estado Brasileiro que precisa pagar quase dois bilhões de reais de juros da dívida interna do país por dia – por dia! – irresponsavelmente acumulada de 1994 para cá. (Cadeia para os que endividaram o país, estampava um placar bem grande no centro de Lisboa.)

Resta-nos dobrar os joelhos e pedir a Deus a misericórdia de nos segurar na beira de um precipício que, a qualquer momento, poderá nos engolir enquanto os marajás do poder vão rir de nós nas ruas engalanadas, nas praças históricas e nos antros granfinos dos sabichões.

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