17 de abril de 2024

Sobre entendimento, Clóvis e Jota Matos (por Francisco Nery Júnior)

Por

Redação, sitepa4

De Rousseau: “Já que nada autoriza um homem considerar-se superior ao outro, o único caminho é o entendimento”. Jean Jacques Rousseau deve ter dito desse jeito em francês.

Estamos a levar uma comunicação escrita. Se fosse televisiva, teria ficado para depois. O fato é que estou com algo tipo insolação, a cara queimada do sol. O leitor nada disso mereceria. Pela manhã, por vários minutos a ajudar o vizinho da esquerda a cortar um pé de nim que ele plantou bem no pé do muro divisório. Lá atrás, encasquetou e plantou. Teimou e plantou.

E tive que ir lá, a essa altura da vida. Uma das galhas já estava bem em cima da rede de alimentação da Coelba. Sobrou pra mim, cortar o pé de nim. Entra e sai, abre depósito de ferramentas, pega corda pra lá e pra cá a procurar a “maquita” que felizmente funcionou. Funcionou e derrubou a galha citada bem em cima da rede elétrica que, providencialmente, aguentou o tombo. Como ilustração, apenas para clarear mais um pouco a argumentação, uma das coisas que aprendi na França é que não é permitido, por lei, um vizinho plantar uma árvore de porte no pé do muro divisório dos lotes das casas a menos de quatro metros. Pode parecer intuitivo – e é -, mas está na lei.

Em parágrafo específico, o vizinho do lado direito também plantou o seu nim bem no pé do muro – direito. Cortou uma mangueira e plantou o seu providencial pé de nim, ficando registrado que a manutenção dos muros sobra para mim; tem sobrado nesses quarenta últimos anos. Estão começando a rachar pela eficiente ação tentatória de paciência das raízes dos nins que bem fazem a sua parte. Assim sendo, ” Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa”.

Então Jota Matos. Antes de levantar os andares superiores, prédio vizinho à Rádio Bahia Nordeste, um entendimento necessário. A conversa direta com Tico e tudo resolvido. Sem arranhões até hoje. Do outro lado, outro entendimento com Clóvis, chesfiano falecido, se impunha. Conversa feita e tudo resolvido. Amizade mantida, civilidade sempre, visitas ao vizinho na sua reta final. Assim conseguimos colocar em prática a máxima de Rousseau.

A despeito do exposto acima, personagens inerentes, nunca vi Clóvis – nem vi Jota Matos – de braços pra cima nem de voz rouca a bradar aleluias retumbantes e persistentes. Provavelmente nunca leram o filósofo francês, mas entenderam que o melhor caminho é o entendimento.

Francisco Nery Júnior

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