27 de maio de 2024

Sobre comunicação, interpretação e oratória (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação, sitepa4

CRÔNICA – Francisco Nery Júnior

Quem não se lembra que Chacrinha palrava que quem não se comunica se trumbica? Pois é verdade que, para levar a vida, é preciso se comunicar. Saber passar uma mensagem e saber decodificá-la. Os mais cultos, os melhores trabalhados na escola, os ladinos de nascimento levam vantagem. Melhor estudar e ler.

Em uma das nossas aulas na faculdade, discutíamos sobre o que viria a ser uma obra de arte. Seria a concepção e visão do autor ou a recepção e visão do contemplador, do receptor? A concepção de ambos seria a mesma se em estado de deleite ou se em estado de penúria; uma dor de dente por exemplo?

Literatura é arte e convém caprichar na emissão de uma mensagem e no seu recebimento.

Três eventos que podem nos ajudar, atestando o que temos visto até aqui: o pastor conferencista desembarcou do trem e logo apareceu um membro da igreja local para carregar as malas. Mala maior na cabeça e a preocupação do pastor convidado: “Cuidado, rapaz, a mala cai.” A cada passo ou tropeço do carregador, “a mala cai” e a reação: “Aleluia, pastor”. A cada “a mala cai”, a correspondente “aleluia, pastor”. E a mala caiu. “Eu não avisei que a mala ia cair?”, gritou contrariado o pastor. “Ah, pastor, eu pensei que o senhor estava falando em língua estranha”, foi a resposta do irmão carregador.

Agora estamos em um púlpito de igreja em uma cidadezinha pequena e pacata. Antes da pregação, a recomendada leitura bíblica base para o sermão. O pastor havia se esquecido da recomendação, em uma aula de oratória no seminário, no sentido de levar em conta a moderação. Em outras palavras, evitar os exageros.

Bradou e mais bradou, sempre gesticulando, o início do texto bíblico: “Eis que vou…” Tanto enfatizou que terminou perdendo o equilíbrio e, ao procurar apoio no púlpito, ambos se precipitaram patamar abaixo bem em cima da perna de uma velhinha devota – de quem, a perna, foi quebrada. No serviço hospitalar de emergência, a recomendação do médico de plantão: “Ele bem que avisou [que vinha]. Da próxima vez, melhor a senhora sair de baixo!”.

E o grande erro de comunicação entre Moisés e o povo hebreu: Deus ordenou a retirada do povo do Egito para o Canadá. Como Moisés era gago, o povo entendeu Canaã. Deu no que deu.

Assim sendo, melhor capricharmos no emprego e na interpretação das palavras.

 

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