21 de julho de 2024

(ENTREVISTA) Prestes a acolher Galinho no PSD, presidente do partido Jean Roubert adianta: “não haverá decisões unilaterais nem apressadas”

Por

Ivone Lima/Painel (ivonelima.com.br)

 

Jean Roubert e Mário Galinho

 

PAULO AFONSO – A geração do vereador Jean Roubert (PSD), na média dos 40+, está a alguns meses de poder promover uma mudança social sísmica, cujas proporções escapam da imaginação e começam a ganhar formas.

Para isso, é indispensável que a população veja um quadro claro, sem margem para dúvidas de que o pré-candidato a prefeito Mário Galinho, em breve na legenda presidida por Jean, não apenas canaliza o desejo da mudança, como é, ele próprio, o novo.

Os poucos anos a mais que Jean tem de diferença para Galinho foram primordiais, para, que este vencesse a tentação de mandar o outro às favas e pôr um fim no sonho que está sendo construído coletivamente.

Jean amadureceu rápido, após sofrer revés na carreira política. Soube digerir não apenas o episódio pontual entre Galinho e o senador Otto Alencar (PSD), como tem sido resiliente nas questões de bancada.

Senador Otto, Jean Roubert e o irmão, Fabrício Netto

 

Presidindo o futuro partido do pré-candidato a prefeito que, a preço de hoje ganharia a eleição, Jean trabalha nos bastidores para distensionar o ambiente, à medida que tenta passar credibilidade para os futuros acordos, sem perder de vista que está sendo ungido de poder por Otto Alencar e Otto Filho, dois dos mais importantes políticos da Bahia.

Pela manhã, na Câmara Municipal, que passa por obras, o vereador conversou exclusivamente com o Painel, sobre como andam os preparativos para a eleição, não tergiversou sobre questões delicadas e forneceu pistas seguras de que as coisas que são ditas nas esquinas, hão de passar pelo crivo de um conselho político, portanto, nada está decidido em relação a pré-candidato a vice de Galinho e etc.

Acompanhe a entrevista completa:

Otto e Jean

 

Além de acolher Mário Galinho, como o PSD vai se organizar para as eleições visando o Legislativo?

O processo político é objetivo e temos que lidar com o raciocínio lógico. O PSD hoje tem 116 prefeitos na Bahia – nesse particular é o maior do Brasil – com maior representação na Alba e um dos maiores do país; e temos a grata satisfação de ter o senador Otto Alencar que é um dos políticos mais respeitados do Brasil. Então, há seis meses, nós estreitamos o diálogo com o pré-candidato a prefeito Mário Galinho – uma construção que está prestes a se concretizar. Muito também pela amizade que temos desde que fomos colegas aqui na Câmara. A filiação ocorrerá em fevereiro quando a agenda do senador for aberta novamente. Aqui, localmente, muitos já estão interessados na proposta que estamos querendo construir para o município, que vive um estado de insegurança e desconfiança nas ações do governo – estes são atributos importantes. Nós queremos, a priori, construir um projeto programático que traga segurança, confiabilidade e previsibilidade. Assim nós vamos levar Paulo Afonso ao patamar que merece. Em cima desses projetos vários atores políticos com mandato ou não estão aderindo, neste momento associado ao Mário Galinho. Vamos caminhar com seguimentos organizados da sociedade e com o povo, nesse movimento que chamo de ‘reconstruindo um novo tempo’; porque vivemos numa encruzilhada parados com uma gestão ineficaz causando muito sofrimento à população. A minha missão é essa: o partido precisa ser forte, temos esperança de formar um número elevado de vereadores.

Nessa construção há o temor – especialmente de políticos novos – de participarem da eleição apenas como ‘escadas’ para a subida de lideranças com mandatos, como o partido pretende resolver essa insegurança?

Em que pese nós sermos o partido do pré-candidato à prefeitura, nós temos outros partidos na órbita e precisamos pensar coletivo, são quatro partidos no máximo para nos dar estrutura. Na discussão nós vamos redistribuir esses candidatos e pré-candidatos para que possam equacionar. Alguns já sinalizaram que se sentem à vontade no PSD e temos pré-candidatos que vão para outros partidos. Para resolver a questão, tenha por certo que nós vamos equacionar as forças. Há também um empenho especial para respeitar o percentual dos 30% de vagas para as mulheres, estamos em conversa com as pré-candidatas e o objetivo do grupo é ter o maior partido com o número de eleitos em Paulo Afonso.

Como foi para você lidar com a péssima repercussão da ida de Mário Galinho [acompanhado de vereadores] a Salvador, para encontrar o senador Otto Alencar, sem conversa antecipada com você, que preside o partido?, você se sentiu tentado a chutar o balde?

Tive uma reação natural, humana, de quem é surpreendido negativamente. Quero esclarecer que o fato foi superado. Vendo hoje, entendo que foi uma providência, pois chamou atenção para a correção de erros.

Foi o tempo de errar.

Foi. Eu entendo que a inexperiência do Galinho no fato, não teve maldade. Foi deselegante, sem o cuidado de informar ao presidente local do PSD que haveria uma reunião. Isso foi corrigido, o senador [Otto] bastante sóbrio orientou que qualquer pauta política que diga respeito ao PSD municipal deve passar pelo presidente municipal. Eu conversei com ele [Galo] em particular e com os demais, eles entenderam. Em nome de um projeto maior, eu digo o seguinte: qual é esse certo que não pode errar?, quem nunca errou atire a primeira pedra.

Como vocês vão fazer para passar credibilidade aos eleitores de que o projeto de vocês é de fato novo, uma vez que vão caminhar com políticos ligados a vida toda a Luiz de Deus, o modelo de gestão do qual tentam se diferenciar?

O projeto é novo. Quem aderir a ele precisa entender que perpassa por esse trilho que vai ser condicionante para elevar o município. Eu não posso impedir que as pessoas peçam coisas (o vereador se refere aos balões de ensaio que laçaram nomes de candidatos a vice de Galinho), só que vai existir um conselho político para não permitir decisões unilaterais nem apressadas, porque nós temos que, naturalmente caminhar, ouvir as vozes das ruas e não deixar que o nosso projeto fuja da originalidade. O que eu digo com ‘originalidade’, são as respostas aos anseios da sociedade. Vendo o modelo errado de fisiologismos, vícios e erros, nós queremos a correção disso. Nós não vamos permitir – e agora eu falo por mim que farei parte do conselho- que velhas práticas se efetivem. Vamos conversar porque a política é feita de diálogos, então, há falatório, mas dentro do conselho será decidido o melhor para a sociedade.

Vereadores Jean, Marconi Daniel e Evinha Oliveira

 

Você que venceu duas eleições no grupo de Luiz de Deus tem ciência da força que é a máquina. Daí por que a necessidade de ter o apoio dos colegas de bancada para tornar o grupo menos vulnerável, além do que, eleição só está ganha quando acaba. Nesse sentido, como está a conversa com Evinha (Solidariedade) e Marconi Daniel (PV)?

Claro! Conversei com os dois [Evinha e Marconi Daniel] separadamente e de forma reservada. Respeito o tempo de cada um, mas não é justo que depois de passarmos por tanta coisa juntos, como bancada, de repente, está se afunilando o processo político, e a gente caminhe – por questões particulares- separados. Temos que tirar as diferenças, porque como se diz por aí ‘precisamos unir os diferentes para vencer os antagônicos’; temos que ser maduros para colocar na mesa as nossas convergências, pois não podemos subestimar a força de uma máquina que está há 34 anos fazendo essa modelagem. Agora eles vão massagear a dor do povo, vão aparecer recursos para investir na campanha de forma pesada. Mas eu digo a essas pessoas: na segunda-feira após a eleição a dor volta. Esse modelo não tem qualquer condição de evoluir em nenhum setor da economia, da saúde e social. Portanto, tanto maior a união, maior será a força, repito: em nome de um projeto programático e não de personalismo.

Jean e o deputado Otto Filho

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