15 de abril de 2024

CRÔNICA – O sabor da velhice e ser amigo (Francisco Nery Júnior)  

Por

Redação, sitepa4

Por Francisco Nery Júnior  

O sabor da velhice e ser amigo 

O jovem – um velho ainda jovem, um velho potencial, que se não morrer será velho –; o jovem se engana com o velho. O velho é, na mais pura realidade, um jovem liberto.

Conheci alguns velhos. Eu menino, os conheci; livres, leves e soltos. Um deles, o coronel Oseias, amigo do meu pai, nem mais se importava com o dia do seu aniversário. Era, para ele, um simples dia, um dia atrás do outro. Eu mesmo me sinto desconfortável no dia do meu aniversário. Os parabéns que me dão, deveriam, no meu entender, ser dados aos meus pais, os responsáveis pela obra.

O tenente Juvenal, tenentão reformado do exército, outro amigo próximo do velho, já não respondia aos insultos. Com insultos quero dizer incompreensões, chistes e desprezos. “Ah, é, muito bem”, costumava ser a sua reação. Pra que se aperrear? O mundo breve ficaria para trás com todos os seus defeitos.

Recentemente, aprendi com um sábio companheiro aposentado da velha Chesf a fórmula para a paz domiciliar, matrimonial em outras palavras: “É só dizer sim a tudo. Balançar a cabeça e prosseguir”. Com o meu bordão “muito bem, é isso mesmo”, vou tocando a vida recomendando ao outro lado aplicar a mesma fórmula.

Velho ou novo, e os amigos? Além do celular na mão, eles são poucos. O que nos leva à busca de artifícios para os manter. Amigo é aquele a quem não há necessidade de pedir perdão. O ofensor, para o amigo, já está perdoado. Pedir perdão é perda de tempo, mesmo reabertura de uma ferida que já está cicatrizada. Seria o caso dos caciques a discutir a qualidade do fumo após terem fumado o cachimbo da paz.

Amigo, neste mundão do Senhor – o cônjuge assim considerado –, é uma pessoa cheia de virtudes e cheia de defeitos. A sabedoria está em nos esquecermos dos defeitos e nos concentrarmos nas virtudes.

Ademais, um “defeito” pode ser resultado de uma situação passageira, até uma doença; um incômodo físico. Carece sempre perdoar. Não é fácil e é cômodo preconizar e escrever. Mas é o único caminho.

Procurar não estragar uma amizade é fundamental. Evitar o sincericídio ajuda. Não praticar visitas demoradas. Os conselhos, só com palavras bem medidas e com a certeza da hora certa para tal. Muitas vezes o silêncio e a tolerância são o melhor conselho. Um olhar ou um piscar de olhos pode ajudar mais que um discurso, pra não grafarmos reprimenda. Embora a bíblia recomende (preconize) o empréstimo a um amigo necessitado, só em último caso tendo como certo que o empréstimo recomendado pela bíblia é aquele que será pago quando possível. Melhor, para a durabilidade de uma amizade, considerar que dinheiro, carro e mulher não se emprestam. Podemos mesmo evitar favores desnecessários.

E por considerar que um amigo é fundamentalmente uma joia rara é que tomamos a liberdade de comentar para o leitor o que acabamos de escrever.

 

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