17 de abril de 2024

 ARTIGO – O estudo do português (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação, sitepa4

Por Francisco Nery Júnior

Ele é um encanto e por isso dele hoje nos ocupamos. De Camões para cá, em Portugal e no Brasil, mestres dele se apropriam para nos deliciar. Nasceram e adquiriram a língua, leram muito e cuidaram das estruturas. Até hoje nos encantam até o derramar da medida. Falamos do português.
Também nasci e aprendi a língua. Lia diariamente o jornal A Tarde – primeiro as crônicas de Adroaldo Ribeiro Costa – e devorava os livros da estante do meu pai. Na igreja, seguia atentamente os sermões do pastor Hercílio Arandas. Era o tempo em que advogados nos enchiam a beira e manobravam o português para livrar das penas os seus clientes. (Eu algumas vezes me imiscuí entre os alunos de direito no auditório do Tribunal do Júri em Salvador – para aprender português. E aprendi! Quanto ao pastor Arandas, ele pregava na segunda pessoa do plural – uma benção para os fiéis e para os estudantes de português.
Então fui para o ginásio e tinha aulas de português. Gostava da análise das estruturas da língua. Eu já falava a língua e lia o que me interessava. Nos estudos de texto, às vezes me irritava – mas não podia argumentar, os tempos eram outros – quando me perguntavam o que o autor queria dizer e coisas do gênero. Eu ainda não tinha ouvido a resposta de Dercy Gonçalves: “Sei lá p…”.
Creio já ter tido a noção, à época, que literatura é arte e há dezenas de imagens, receitas, mensagens e injunções por parte do autor e que outro tanto depende da postura e do estado de espírito do leitor. Assim assistia às aulas, muitas delas belíssimas aulas, e ia lendo os meus livrinhos e prestando atenção ao uso da língua pelos mestres.
A um tempo, resolvi escrever, para o leitor, alguma coisa que o ajudasse no contemplar e no estudar – para aprender e se deliciar – do português. A minha surpresa foi um comentário para que eu “ficasse na minha”. [Esta] não seria “a minha área”. Evidente que certas coisas não merecem comentário. Fiquei na minha insignificância esperando o desenrolar do tempo.
Eis que tomei conhecimento da existência de uma professora de português, com milhares de seguidores, professora de cursinhos preparatórios para o vestibular. O resultado das suas aulas e da sua abordagem estrutural são, segundo ela, espetaculares. Os seus alunos, que aprendem o uso e a interpretação das estruturas linguísticas, excedem no uso e na interpretação do português que tanto amamos – e usamos. Lemos, raciocinamos, analisamos, introvertemos o conteúdo e nos comunicamos. “É assim que se aprende português”, brada, com toda a segurança, a professora Cíntia Chagas.
Como nada é melhor do que resultados – e com toda a vênia dos leitores – me atrevo a revelar que entrei para a Chesf porque concorri com mais de trezentos candidatos em provas de matemática e português. Fui a segunda melhor nota do teste de português dentre centenas de candidatos, resultado da leitura de livros, condução pedagógica do meu pai e duas irmãs mais velhas, presença em palestras e conferências e análise estrutural da língua. (Como o velho tem direito de se repetir, afirmação de uma campeã olímpica do passado, esta história já é conhecida de alguns dos nossos.)
De forma que fica o comentário, resolutamente despido de vingança ou cheiro acre de rabugice, para o bem e para o desenvolvimento dos amantes do português. Ler com atenção e apego à língua o que lhe cair nas mãos – ou o que lhe aprouver – com todo o respeito às discordâncias próprias do ser humano.

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