21 de maio de 2024

Internauta na bronca com um globo que faz “plim plim”

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Escrever sempre me pareceu um desafio perigoso e cheio de possibilidades. As palavras, quando não colocadas com precisão, costumam tomar uma dimensão inesperada, muitas vezes até falsamente compreendidas. Daí por que escrevo pensando em cada sílaba, nos contornos e possíveis caminhos que o subjetivismo presente na interpretação pode tomar.


Também costumo escrever escutando músicas, pois sempre acho que de alguma forma as suas melodias poderão me embalar num ritmo seguro e tranqüilo. Quando pretendo escrever sobre sentimentos perturbadores, notadamente o amor, recorro às músicas que contenham em si a paz que somente a mão divina poderia criar.


Assim, escrever é uma maneira transparente de refletir em um arquivo de computador, ou folha de papel, aquilo que no momento me corrompe, me arrebata, ou mesmo me faz sonhar. Claro que para escrever é preciso inspiração, e essa ultimamente não me é muito constante, vez que a vida me tem pregado boas peças.


Diferentemente, hoje encontrei motivo para escrever uma ou duas laudas, talvez três. E no que diz respeito a esse tema, sequer me preocuparei com as palavras, tamanha resignação que me assola nesse instante. Antes, porém, é preciso fazer uma alerta: Não me considero um moralista defensor de velhas tradições sem nenhum sentido. Não! Defendo apenas um modo de pensar baseado em uma racionalidade que me é peculiar.


Pois bem, traçadas essas premissas, vamos ao que de fato interessa. Já faz um bom tempo que o conteúdo televisivo não me agrada. Ver a Luciana Gimenez falar asneira e humilhar pessoas não é de meu feitio. Escutar o Fausto Silva contar piadas totalmente sem graça e se achar o melhor apresentador do mundo é no mínimo um disparate.


Se eu pretendesse listar todas as atrocidades televisivas que vejo diariamente, ficaria em frente a esse monitor o dia inteiro, sem descanso.


A mídia é cruel e queima os neurônios daqueles que dela são adeptos. Formata mentes e insere conteúdos cuja procedência é o esgoto mais fétido e nojento já conhecido. Tem o poder de condenar inocentes, livrar culpados, criar vilões e destruir heróis.


Ainda assim, não é a única culpada. Destarte, como eximir de culpa quem se interessa por um quadro de um programa nacionalmente conhecido cujo atrativo é ter uma mulher arrotando na cara de outras pessoas?


Ora, se essas porcarias existem, se deve ao fato de que pessoas assistem a tais programas, contribuindo para elevados índices de audiências e conseqüentemente maiores receitas para a emissora.


Mas confesso que o que mais me irritou tem origem em um globo que faz “plim plim”. Em pleno horário nobre, uma novela tem como personagem uma senhora cujo atrativo é “pegar” garotinhos 30 anos mais jovens, transar com os mesmos e depois desaparecer.


Tal prática poderia parecer normal, não fosse à situação peculiar de ser a mesma casada e mãe de dois ou três filhos.


Em outra novela, esta destinada ao público jovem, o parzinho romântico, cada qual possuindo outro namorado (a), traem os mesmos, numa cena que transmite a sensação de que tudo aquilo é normal, enganar pessoas aparenta ser conduta que deva ser repetida.


E assim, alienam aqueles cuja estrutura psíquica não se encontra plenamente formada. Mas afinal de contas, o que há de errado em agir dessa maneira? Tudo. A liberdade deve sempre ser exaltada, não duvido, mas essa mesma liberdade deve encontrar limites em outros valores tão importantes o quanto. Ou alguém pensa que uma conduta negligente não tem o condão de afetar diretamente outras pessoas causando-lhes dor?


Qualquer atitude que possa contribuir para causar algum tipo de dor deve ser evitada. Neste ponto, desmedidos e inconseqüentes são os meios de comunicação de massa que ao fomentarem tais condutas, contribuem decisivamente para a formação moral de jovens e adultos, transformando-os em seres vazios e sem capacidade de autodeterminação.


Vivemos em uma selva cujo leão é manipulador e extremamente hábil. Fugir de seu furor é tarefa difícil, mas plenamente viável, desde que utilizemos de nosso intelecto, ou o pouco que ainda nos resta.

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