11 de agosto de 2022

Governo de coalizão, saindo da rota de colisão

Augusto Flávio Roque


 


Depois de um relacionamento meteórico com o PP e aliados de Mário Negromonte, Raimundo Caires sinaliza aliança com a estrela do PT.

Conflitos serão sem dúvida uma das coisas que marcarão a administração do Prefeito Raimundo Caires (PSB), que chega a este último ano de seu mandato tendo protagonizado uma das administrações mais turbulentas da recente história política de Paulo Afonso.

Desde a homologação de sua campanha a Prefeito Municipal em 2004, um cenário perturbador já se colocava perante Raimundo Caires, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua coligação resolvem optar pela candidatura majoritária de Zé Ivaldo (ex-PT), provocando um grande desconforto em ambas as candidaturas que reconheciam a partir daquele momento, as enormes dificuldades, para não dizer improbabilidades que teriam para vencerem sozinhas a super-máquina de Luiz de Deus, ao mesmo tempo em que jogava o uma vice-candidatura colo de Mário Negromonte. Uma análise aliás, tão verossímil, que não fosse a campanha de Zé Ivaldo ter cedido às evidências aos últimos dias de campanha, integrando-se assim à candidatura proposta pelo PSB, indubitavelmente Raimundo Caires não teria vencido aquele pleito.

Estava posto: um Prefeito; uma Coalizão; e duas Coligações.

Com um mistura bastante heterogênea entre PSB, PP, PL, PT, PV e PCdB, de partida rusgas internas começam gradativamente a minar a Administração Municipal, inicialmente culminando com a decisão do PT, sob a liderança de Paulo Rangel, de se apartar de Caires.

Como arma de contra-ataque, usaram a Rádio Bahia Nordeste (RBN), espaço até então privilégio da direita pauloafonsina, como mecanismo de fazer ecoar ácidas críticas ao Governo Municipal.

Não tardou para que Mário Negromonte e seus liderados percebessem a oportunidade de se livrarem desta coalizão conturbada para assumir o controle, e marcharam numa cruzada para total desestabilização do Governo Caires. Foram meses com as mais variadas estratégias, com denúncias na Câmara Municipal e passeatas, e até utilizando-se da RBN do inimigo Luiz de Deus, para disseminar inúmeras acusações. Raimundo triunfou, e se reergueu.

Por último, os apadrinhados de Luiz de Deus que até então tinham ficado esperando o melhor momento para deflagrarem sua guerra, escolheram o pior, e numa ação desordenada, propuseram acusações para afastar de vez o Prefeito, só que esqueceram de negociar com a própria bancada, tendo sido submetidos a uma derrota por fogo amigo.

Tendo dado a volta por cima, o prefeito agora inicia as negociações para uma segunda candidatura com mais força, e respaldo da sociedade, entretanto, tenta estreitar uma relação com um PT fragmentado que diz ser importante para viabilizar sua campanha. Qual PT apoiará Caires? Todas as lideranças petistas do município apoiarão a sua candidatura? O vice-prefeito indicado pelo PT, será o do consenso, ou o da maioria fragmentada? Não compondo com Caires, o PT tem cacife pra bancar uma candidatura própria? Os votos dos petistas são somente para PT? E os dos simpatizantes? Em meio a tantas perguntas que os analistas de plantão devem estar fazendo, mais uma: terá Raimundo Caires fôlego pra mais uma coalizão?

Augusto Flávio Roque
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