23 de julho de 2024

César Borges fecha acordo com Geddel para as eleições

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O que era tido como certo na política baiana precisou apenas de um fim de semana para se desmanchar. Após o governador Jaques Wagner (PT) confirmar na sexta-feira (9) que o senador César Borges (PR) estaria na sua chapa para eleição deste ano, o republicano escolheu o domingo chuvoso de ontem (11) para divulgar o inverso. Ele não só não vai ficar com o petista como passa a se aliar ao seu adversário político: o ex-ministro Geddel Vieira Lima do PMDB.


Em nota , o senador afirmou que “o PMDB deu provas mais sinceras de pretender uma verdadeira e integral parceria com o PR”. As provas a que o senador se refere são as coligações proporcionais para deputado federal e estadual. Coisa que o PT não queria e o PMDB, que só havia fechado oficialmente com dois partidos, aceitou rapidamente.


O PT queria que o PR ingressasse na aliança, mas não fizesse coligação na disputa das vagas com eles para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal. O presidente estadual do PT, Jonas Paulo, já admitia que a chapa de Wagner teria mais de uma coligação para abrigar o PT e o PR.


Isso aconteceria, sobretudo, por conta da rejeição dos petistas ao nome de Borges. “O PMDB garantiu ao partido as coligações para os deputados estaduais e federais, o que vai permitir a construção de um projeto político comum e sólido, no qual todos possam crescer e trabalhar com a mesma força em favor da Bahia”, concluiu Borges.


Só alegria
O atual deputado federal e pré-candidato ao governo era só alegria diante da nova composição e até fez metáfora. “Nossa candidatura superou os arrecifes e entrou em mar aberto”, filosofou Geddel. A adesão de César traz também dois minutos de tempo de propaganda eleitoral, além de 40 prefeitos do PR para a campanha de Geddel.


A decisão final foi definida na manhã de ontem (11). “Conversei com o senador sobre nossa visão de aliança que quer juntar com generosidade e sem embromação”. Com César, o PMDB vai rearrumar a composição da chapa. Estavam cotados os nomes do vice- prefeito Edvaldo Brito e do milionário João Cavalcanti para o Senado. “Vou conversar com os aliados para fazer isso. Tudo será na maior tranquilidade”, diz Geddel.


Ainda esta semana, o PMDB fará um evento oficial para divulgar a aliança. “Antes vamos a Brasília conversar com as lideranças nacionais do partido para assegurar também que vamos apoiar a candidatura do projeto do presidente Lula”, confirmou Geddel.


Normal
No bloco da oposição, em que César Borges fez sua história política, a notícia foi recebida com naturalidade. O deputado federal ACM Neto (DEM)admitiu que desde que o PR fechou compromisso de apoiar a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência, Borges já não estava mais nos planos deles. “Já esperava que ele não ficasse conosco. Nós nem estavámos conversando mais. Nosso palanque é de José Serra (candidato do PSDB à Presidência) e o partido dele tem outra candidata”, disse Neto.


Para ACM Neto o anúncio da adesão não traz nenhum prejuízo político para os Democratas. “Nossa articulação já não contava com o senador. O DEM não terá prejuízo porque a gente estava preocupado com nossa chapa. Não poderíamos ficar com alguém que não estivesse com Serra”.


O DEM anuncia nos próximos dias a formação da chapa. Os nomes cotados são do ex-prefeito de Guanambi Nilo Coelho para vice-governador e José Ronaldo, ex-prefeito de Feira de Santana, para o Senado. Paulo Souto será o candidato ao governo.


Wagner se diz triste e resignado com a decisão
A decisão do senador foi comunicada ontem (11) para a cúpula do PT. “Estou sabendo agora dessa notícia. Desde sexta tento falar com o senador”, disse o presidente estadual do PT, Jonas Paulo.


Wagner, que foi avisado no fim da tarde de ontem (11), disse, através de sua assessoria, que recebia a notícia com tristeza e resignação. “Nosso trabalho em torno do projeto vitorioso vai continuar. Eu prefiro acreditar que a decisão (do senador) se deu por afinidades de projeto”, avaliou.


Fontes ligadas ao PR afirmaram que o PT pretendia adiar para junho a decisão sobre as proporcionais, o que Borges temia. “Ele começou a achar que estava caindo numa armadilha porque não se tomava decisão”, explicou fonte próxima ao senador. No lugar de Borges, o nome do ex-secretário de Planejamento, Walter Pinheiro, aparece como provável candidato.

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