20 de maio de 2024

15 de outubro, Dia do Professor – A professora que me paralisou (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação, sitepa4

Professora Carmem dos Anjos. Foto: Arquivo/Francisco Nery Júnior

 

Por Francisco Nery Júnior

Se os alunos soubessem como ele os ama! O professor ama os seus alunos com a responsabilidade de os conduzir. Ama-os. E repreende-os quando necessário. Está escrito e cassa qualquer ímpeto de discussão: “Aquele a quem eu amo, castigo e repreendo”.

Quando um aluno vence a caminhada e brilha, o professor exulta. Além da realização, a certeza de um vencedor amigo. E amigo é aquele a quem não há necessidade de pedir perdão. Amigo, uma porta a bater em caso de vicissitude.

As minhas professoras foram minhas amigas. Me acolheram, me preservaram e me encaminharam na vereda do raciocínio, às vezes enfezadas e carrancudas. Nunca, porém, vingativas.

Na escola primária, a diretora professora Marieta elegante, segura e convincente; bela como a responsabilidade de me educar. Lá, também, no dia a dia da batalha, a minha professora Carmem dos Anjos e a coadjuvante professora Wanda. Carmem era alta e impunha respeito pela presença e Wanda, mais baixa, era doce como o mel. Na faculdade, o professor Percy Cardoso, decano dos docentes, que me observou por três anos seguidos até grafar um dez de mão pesada em um dos meus trabalhos de escola no tempo em que os mestres eram bastante parcimoniosos em relação às notas.

No ginásio, após a quinta série, a melhor professora de inglês que encontrei em toda minha trajetória de formação e magistério. Fui para a PUC de Salvador com uma base muito bem assentada pela professora Maria Magalhães. Mais tarde, já com cursos adicionais e com fluência adquirida em firmas americanas e cursos no exterior, planejei encontrá-la (uma sua prima tinha sido minha colega de turma). Lamentavelmente fiquei no planejamento. O meu prazer, de fato o meu reconhecimento, seria encontrá-la e com ela conversar no idioma que ela me ensinou com inigualável competência.

Primeiro Ginasial. Foto: Arquivo/Francisco Nery Júnior

 

Para finalizar, o meu encontro – na realidade desencontro – com a professora Carmem dos Anjos. Eu já era empregado da Chesf transferido para Paulo Afonso. Em Salvador, de férias, descia a Avenida Sete de Setembro procurando não esbarrar em um cavalete qualquer de um camelô. Numa das viradas, me esquivando para a esquerda, percebi uma senhora elegante e bela a atravessar a rua. O monumento era a minha professora Carmem dos Anjos!

Como Napoleão ante as Pirâmides do Egito, só pude contemplar. Sem ação, colado ao chão pelo peso do reconhecimento inesperado, ali fiquei.

Até que ela desaparecesse na poeira do tempo, mas eternamente entronizada no meu coração.

Professora Carmem dos Anjos. Foto: Arquivo/Francisco Nery Júnior

 

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