16 de janeiro de 2026

Um forno crematório para Paulo Afonso (Francisco Nery Júnior)

Por

REDAÇÃO - PA4.COM.BR

Foto: reprodução (imagem ilustrativa)



 

 

A turma que veio para Paulo Afonso enquanto a Chesf construía as suas usinas hidroelétricas, portanto pioneira, tem assistido à montagem sistemática da cidade. Desde o início, existia um acampamento e o resto era o resto. Do lado de fora, as coisas foram se ajeitando. Assistimos todos à montagem da cidade. A Prefeitura era onde hoje está um pequeno centro de cultura. O Fórum era onde hoje está uma loja da Getúlio Vargas. E a Câmara Municipal onde hoje está a Casa da Cultura, também na Getúlio Vargas.

 

Já temos até uma UTI, embora em modelo reduzido. Não tem o tamanho nem a abrangência que todos desejávamos. Falta-nos uma segunda ponte entre a ilha e o mundo, desta vez ligando o BNH ao Jardim Bahia. E falta, também, um forno crematório.

 

Há muito tempo desejava, nesta coluna, levantar a bola. Provocar a discussão considerando ser esta a função primordial de um colunista quiçá educador. Pois ela está, aqui e agora, sendo apresentada aos leitores do site: precisamos, seguindo a marcha da montagem da cidade, com urgência, de um forno crematório como opção para a destinação dos nossos mortos. Cadáver é coisa perante a lei e tem que ser descartado, por mais que isso nos doa na alma. Dispor do corpo que hospedou a alma dos nossos entes queridos é terrível.

 

A decisão de escrever foi motivada pela notícia veiculada na mídia local dando conta que a Prefeitura Municipal estaria considerando a compra de sacos mortuários e a reserva de um local alternativo para sepultamentos, antevendo um aumento desproporcional de mortes na cidade provocado pela Covid-19.

 

A cremação de cadáveres está se popularizando no Brasil. A opção de cremar pode ser mais barata que sepultar. A preferência, da mesma forma, está aumentando. Cremos que esse aumento seria bem maior se as pessoas presenciassem a abertura de sepulturas para transferência de ossos ou tivessem a oportunidade de testemunhar a putrefação dos cadáveres.

 

A resistência de algumas religiões tem desaparecido. Em se tratando da Igreja Católica, a resistência cessou quando o Papa Paulo VI autorizou a cremação de corpos em 1963, desde que as cinzas fossem consideradas restos mortais e fossem acondicionadas em locais adequados.

 

Podemos considerar os preços de uma cremação a título de ilustração. No cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, custa menos de R$2.000,00. No cemitério público mais popular de São Paulo, menos de R$1.000,00. Em cemitérios particulares, fica a partir de R$3.000,00.

 

Então, para aqueles que, como o autor, preferem ser cremados, que comecemos a pensar no Crematório Municipal. As minhas cinzas, as desejaria um pouco em cada base das árvores da cidade, levando em consideração que aí [ainda] residiria a dignidade recomendada pela Igreja.

 

Francisco Nery Júnior




 



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COMENTÁRIOS

Comentários 20

  1. Beto da Liga says:

    Parabéns, mestre! Observação super pertinente.

  2. Pedro says:

    Uma ponte ligando o BNH ao Jardim Bahia…. ???

  3. Pedro says:

    Concordo com a criação do crematório!!

  4. Pedro says:

    Mas a ponte tem que ligar o centenário a Vila Moxotó

  5. MARIZA SILVA. says:

    Nunca em Paulo Afonso houve uma notícia tão bombástica para o momento em que vivemos, esdrúxula, descabida, sem nexo, criada por uma pessoa sem …..
    Estas capas motuarios devem ser compartilhado primeiramente pelo entes desqueridos do mentor e comprador destas escolas.

    • MARIZA SILVA. says:

      Eita, preciso revisar antes de publicar, capas mortuárias, comprador destas sacolas,

  6. AVIAÇÃO NA MINHA ALMA says:

    E aqui falta uma escola de aviação

  7. Brasileiro. says:

    Falta também uma ponte aqui da vila do rato para Prainha,me polpe com uma so ponte já acontece do acontece imagine com duas aí vai virar bagunça o certo mesmo e reforçano posto policial e construir outro aqui na entrada da Ponte antes de atravessar outro na Prainha do candeeiro e outro na balança. Agora negócio de ponte sem chances.

  8. Hilton says:

    Prefiro que os puxa-sacos não manifestem opniões.

  9. Francisco Nery Júnior says:

    Esclarecimento ao amigo Pedro: até onde estou informado, a opção mais lógica – e barata em tempos de crise – seria, segundo os planejadores comprometidos, entre aquela parte ‘mais estreita’, entre o fim do BNH e o final do Jardim Bahia. Se alguém passa do BNH para o final do Jardim Bahia, estará passando do Centenário para a Vila Cetenco, ou Moxotó. Parece óbvio!!!!!!! Então, mantemos o texto e agradecemos o “debate”.

  10. Beto says:

    Apesar de acreditar que seria útil, classifico como uma ferramenta para os casos mais críticos. A cremação ou queima de qualquer que seja a matéria. Traz danos ao ciclo biológico. Só existe vidas porque existe decomposição. Pensem nisso.

  11. Thales Vilar says:

    Crematórios públicos ainda não são nossa realidade professor, o custo adicional de um crematório, eleva consequentemente o valor da taxa das funerária(é uma morte de luxo para muitos)e ainda não está adequada a realidade financeira da maioria das famílias, se o poder público fizesse seria uma solução, já que as necrópoles do município, anos pós ano, tem que ter sua capacidade ampliada.

  12. UMA FÚNÇIONÁRIA says:

    ESSE PROCURADOR DO MUNICIPIO, DEVIA ERA SER DEMITIDO. QUANTO AO CREMATORIO, SERÁ ÔTIMO. POIS TERIAMOS ONDE JOGAR ESSES PÓLITICOS NO FOGO, PRA VIRAREM CINZAS. TENHO MAIS DE VINTE ANOS NA PREFEITURA, E GANHO SALARIO MINIMO. POIS NÃO FAÇO PARTE DA PANELA, NEM SEI PUXAR SACO.

  13. PEDRO SANTOS says:

    Paulo Afonso, Sendo pioneira em energia não gerou Industrias, não abriu fabricas e nem proporcionou emprego e renda em escala, como se esperava; Mesmo tendo os quatro elementos básicos para o desenvolvimento: água, terra, energia e profissionais; Ate hoje não temos uma capela publica para velar seus mortos, não temos uma UTI, tendo uma das melhores receitas do interior do estado; Falta muito coisa! Porem, temos um grupo politico que todos os acontecimentos dos últimos 30 anos, giram em torno da família; dos parentes e dos amigos do seu circulo social. Pensar em Cremação para uma cidade do interior, só iria alcançar uma classe social; Ha empresas funerárias que vendem planos compatíveis com todas as classes sociais e que em breve irão oferecer sepultamento em cemitério privado para seus associados. Cremar nossos mortos, seria um avanço, semelhante as grandes metropolis com milhões de habitantes?

  14. Vontade de fazer o mesmo says:

    Grande, Funcionária, é por aí. kkkkkkkkkkkkk

  15. F. Nery Júnior says:

    Beto contribuiu para a boa conversa. E a intenção desta observação é contribuir. Cremar, como inumar, também é transformação; em gases, por exemplo. Você já notou que, de vez em quando, cai um raio na floresta e causa um incêndio? Aquilo é a Natureza operando e se transformando. Você também notou que, logo após, a floresta renasce mais polpuda e viçosa? O leitor sabe mais do que nós outros que a Natureza não precisa de nós. Só precisa que nós não atrapalhemos, destruamos, vale dizer. E carece nós nos aproveitarmos dela; interagir. Na linguagem do Evangelho, “reinar” sobre ela como corolário da criação. Parabéns a todos os opinantes.

    • Beto says:

      Grato, sábias observações e de grande sentido. Que tenhamos a prudência e sabedoria de um alquimista. “A diferença entre o remédio e o veneno está significativamente na quantidade”

  16. PAULO, EX ALUNO says:

    O PROFESSOR FALA ISSO, PORQUE ELE TEM CONDIÇÕES DE PAGAR. CREMATORIO, É PRA QUEM PODE PROFESSOR NERY. NO LUGAR DE FAZER CREMATORIO, ELE CUMPRA A PROMESSA DE CAMPANHA, DEIXE DE JOGAR ASFALTO, EM CIMA DE ASFALTO, E ASFALTE AS ESTRADAS DA ZONA RURAL, QUE LIGA A CIDADE COM AQUELES ABANDONADOS. DÁ UMA VOLTA DAQUI PRA O POVOADO SÃO JOSÉ. PARECEM O CAMINHO QUE LEVA PRA O INFERNO. E OLHE QUE LUIZ DE DEUS, É SABEDOR DISSO. TANTO, QUE PROMETEU. MAS DE PROMESSA…

  17. Carlos Covas says:

    Um empresário pode adquirir, montar um forno com as esttruturas adequadas e explorar.Não precisa sera Prefeitura.

  18. Laura Lemos says:

    Muito pertinente essa colocação, mesmo antes da pandemia eu já pensava na importância disso, e a situação atual mostra com clareza que essa alternativa é viável e deveria ser considerada.

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