6 de julho de 2022

O espetáculo da Feira Livre – o sertanejo, antes de tudo, um forte! (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação (pa4.com.br)

Por Francisco Nery Júnior

Cedo ou tarde, muito mais cedo que tarde, lá estão eles. Na feira livre, o salão; a assembleia dos fortes. Vêm as guerras, sobe a gasolina, maltrata a seca e eles lá, mais fortes do que nunca. Estão em casa. À vontade se soltam – e nos deixam a desejar sermos como eles.

No doce burburinho da feira, somos conduzidos a sonhar. Feche os olhos por um instante o leitor e veja que não mentimos. Um gravador na mão, um poeta a compor a letra, e a mais doce e inocente canção que poucos poetas seriam capazes de imitar. Nas mãos do Todo-poderoso, arquiteto perfeito de todas as coisas, o nosso sertanejo compõe, sem saber-se capaz, a quase perfeita comunhão projetada por Deus.

Eles cantam e mercam, brincam e se provocam como crianças das quais é o Reino dos Céus. Não se vê cara feia na nossa feira! Como o simples cidadão que passa na nossa rua e nos cumprimenta na frente da casa, monopólio dos justos que a empáfia das classes ditas mais altas as impede de ter, eles sorriem à toa.

O amanhã, o amanhã Deus providenciará. Sorriem o dia inteiro na feira e voltam para casa para dispor da paz e do descanso dos justos.

O encanto da feira! Lá não há ódio. A tão decantada concorrência do nosso capitalismo enraizado fica por conta do acaso. O freguês que pare e compre. O melhor deles fica por conta de nós outros que temos a responsabilidade de assim fazer.

Interessante que a pechincha só acontece na feira. Nos shoppings e supermercados, o preço calculado e irrecorrível marcado. E nós outros pechinchamos sem dó. Nós nos esquecemos dos rigores da produção, do esforço e do labor de sol a sol.

Alguma coisa foi feita na nossa feira livre. Muito mais há que vir. Cobertura geral e mais espaço para que os nossos feirantes possam manter o espetáculo da nossa feira certos que não os abandonaremos com a desculpa do desconforto do calor do sertão.

Post scriptum (P.S.) – a prosa da crônica 

Como a cartilha reza a crônica não ser longa, uma conversa adicional. De início, mais espaço. Os feirantes gostariam de mais espaço. Nós compradores também. Faltou visão lá para trás. A área onde hoje está o Batalhão da gloriosa Polícia Militar deveria ter sido preservada para a expansão da nosso feira. Este cronista recomendou a preservação na época, mas foi voto vencido. Não acreditaram no potencial de expansão da cidade e hoje pagamos o preço. Em Lisboa, por exemplo, um grande mercado tradicional bem no centro da cidade. Os bravos PMs só teriam a ganhar se instalados em local mais amplo e fora do centro urbano condensado. É uma questão de logística que eles entendem muito mais do que nós outros.

Não poderia haver uma espécie de “sala do feirante”? Uma aguinha gelada, instalações sanitárias dignas deles? Uma cadeirinha para os mais velhos se acomodarem momentaneamente talvez com um ventilador ou ar-condicionado? Ou eles não merecem?

Final da feira, a varredura dos restos da matéria orgânica não poderia ser colocada em um monturo qualquer, longe do perímetro urbano? Falamos de compostagem simples que poderia ser doada aos próprios feirantes da zona rural. Em escala bem menor, isto é feito na nossa casa com pouco trabalho e sem nenhuma inconveniência.

Pechinchar menos, pessoal! A turma da feira não é nenhum aglomerado de santos, mas cremos – temos certeza – que os preços são estipulados no limite mínimo de lucro. Três pimentões grandes por dois reais não é exploração. Ninguém pechincha nos grandes magazines. “Fica feio”!

O chamado progresso não elimina a feira. Os produtos com gosto das terras do sertão são mais deliciosos. Valorizar os produtos dos nossos campesinos nos eleva um pouco mais para Deus. Os calos que eles têm nas mãos nos induzem a comprar na mão deles. Há lugar para todos e ninguém irá à falência se o fluxo de compra na feira aumentar.

 

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