5 de julho de 2022

CRÔNICA – De Elezabeth II e Lula I – precisamos de um rei (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação (pa4.com.br)

Por Francisco Nery Júnior

De Elizabeth II e Lula I – precisamos de um rei

No último dia dos festejos do Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II, os ingleses se esbaldaram nas ruas de Londres a demonstrar o seu carinho e o seu reconhecimento à sua rainha. Se os baianos gostam de festa, os ingleses explodem. De todos os jeitos e trejeitos, dançaram, pularam e saltaram, como puderam, para deixar bem claro o quanto amam a monarca e respeitam a monarquia. Os baianos ficaram apequenados.

A incorporação da nação britânica pela família real durante a Segunda Guerra Mundial foi fundamental para a resistência dos ingleses ao nazismo de Adolf Hitler. Eles, até mesmo os mais jovens, não se esqueceram e retribuem, aos saltos e meneios nas ruas, os vários atos de comprometimento e heroísmo de membros da monarquia.

Unido[s], o povo inglês deixou bem claro a importância da sua monarquia para a sobrevivência do Reino Unido. O custo é coisa de somenos importância. O elo de união, a tradição, a história, o conceito de família ou clã e a existência de um monarca “legítimo” a quem honrar – e as vezes a quem recorrer – fazem valer a pena a manutenção da monarquia inglesa. A geração de divisas pelo fluxo turístico mais ainda.

A nossa família real não fica para trás. Dom João VI deu golpes de mestre um atrás do outro, a começar pela abandono de Lisboa às moscas, isto é, a Napoleão Bonaparte. Ele colocou tudo que tinha de valor em naus e caravelas, bens e a fina flor da corte, e veio para o Brasil para permanecer por 13 anos. Visionário, deu um grande impulso ao desenvolvimento da colônia que elevou ao status de Reino Unido de Portugal. O consenso é que pretendia transformar o Brasil em sede permanente da Coroa Portuguesa.

Pressionado pela elite política de Portugal, teve que retornar deixando em seu lugar o príncipe Dom Pedro, culto e impetuoso, responsável pela decisão de tornar o Brasil independente. Em Portugal, o turista brasileiro contempla com prazer o porto de onde Dom João e comitiva partiram para o Brasil, bem como a estátua de Dom Pedro IV (Dom Pedro I do Brasil) em uma praça de Lisboa.

No que pode ser considerado o primeiro golpe no Brasil independente, Pedro I teve que renunciar após cerca de dez anos como imperador do Brasil deixando para trás o seu “mui amado filho”, Pedro II, com tutores confiáveis.

Ele partiu para Portugal e, considerando-se legítimo herdeiro do trono português, liderou um movimento que derrubou o seu irmão Dom Miguel. Tornou-se Dom Pedro IV e reinou até a sua morte aos trinta e cinco anos.

No Brasil, Dom Pedro II foi declarado maior e coroado imperador aos quatorze anos. O Brasil de Pedro II era parlamentarista. O governo era exercido pelo gabinete cujo primeiro-ministro era nomeado pelo imperador, detentor do Poder Moderador. Pouco citados, houve avanços durante o Segundo Reinado como, por exemplo, a consolidação e expansão das fronteiras brasileiras e da unidade nacional e a implantação de uma malha ferroviária.

Com essa pequena exposição história, o nosso objetivo foi demonstrar a importância da Família Imperial para o Brasil pós colônia. Dom Pedro II era amado e respeitado pelos brasileiros. Livre dos pormenores da administração, procurava incentivar a cultura e o desenvolvimento do seu povo. Foi derrubado e exilado por um golpe militar apoiado pelas elites fazendeiras que haviam perdido a mão de obra escrava e que temiam a ascensão ao trono de uma princesa afável e bondosa, mas talvez mimada pelo pai e não preparada para o exercício do poder, bem como o receio de o seu marido, o príncipe francês Conde d’Eu, se tornar o verdadeiro detentor do poder.

No Brasil de 2022, não temos um Poder Moderador. Os três existentes não se entendem “harmonicamente” e a briga de egos atrapalha o desenvolvimento do país. Não temos uma Rainha Elizabeth para, unidos, saltitarmos em confiança nacional nas nossas ruas. Não temos um monarca que, inferimos pelas leituras da época, era respeitado e amado pelos brasileiros.

Temos, entrementes, um Jair Bolsonaro agressivo e um Luís Inácio errante e palrador a nos dividir perigosamente. Não temos a quem recorrer. Pequenos grupos, setores, ou agremiações tentam preencher o vácuo. Mas eles não têm legitimidade consolidada, como no caso dos ingleses.

Partiríamos, então, para um novo plebiscito sobre a nossa forma de governo. Pela experiência histórica e cultural, são favas contadas que a monarquia constitucional seria rejeitada.

Nós nos acomodamos e nos conformamos. Mesmo porque, na hipótese pouco provável da restauração da monarquia, o povão otimista e dirigível faria questão de, em um plebiscito posterior, escolher o novo rei, desprezando a Casa dos Orléans e Bragança. O Brasil seria presenteado com uma nova dinastia inaugurada pelo rei Lula I (Lula Primeiro).

 

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