5 de julho de 2022

CRÔNICA – A banda do Luís Eduardo em fim de pandemia (Francisco Nery Júnior)

Por

Redação (pa4.com.br)

Banda do Colégio Luís Eduardo – Setembro de 2019 (antes da pandemia). Crédito: @banda_colem

CRÔNICA – por Francisco Nery Júnior

De dentro de casa, o rufar dos tambores. Era a banda do Colégio Luís Eduardo se aproximando como a decretar o fim da pandemia do Covid-19. Assim me pareceu. A volta da banda, se não a anunciar coisas de amor, pelo menos a nos despertar para uma nova vida sem pandemia.

Cadência ensaiada, harmonia trabalhada, batidas precisas, descia a rua a banda. Batidas cada vez mais fortes, ela se aproximava. E no seu tocar de esperança, conseguiu me arrancar de dentro de casa. O dia tinha sido pesado e o corpo pedia descanso. Mas a banda, somente a banda, me fez sair para fora. O seu toque, agora em estilo marcial, me fez pensar estarmos todos no cortejo fúnebre do triste vírus que ceifou a vida de amigos, vizinhos e parentes.

Peguei o celular e me preparei, na frente da casa, para registrar a sua passagem para os leitores. A gestação desta crônica tinha começado. Mas para meu desencanto, duas ou três casas faltando, o maestro resolveu dar o comando de meia-volta e tudo voltou a ser como era. O que era doce acabou.

Foi quando me veio à mente A Banda de Chico Buarque de Holanda (vídeo logo abaixo). À toa e desprezado da vida, apareceu um amor que o chamou, nada mais nada menos, que para ver a banda passar cantando coisas de amor. A banda passava despojada de vícios, hipocrisia e injustiças. Valia a pena ver.

 

 

Na sua passagem, cheia de amor para dar, os milagres iam acontecendo: a dor dos sofredores desaparecia, o acúmulo de dinheiro deixava de fazer sentido, a hipocrisia do faroleiro acabava, a jovem que, perdida, contava estrelas parou e passou a ver sentido na vida.

A transformação pelo amor continua num crescendo (o amor transforma): a banda arrancou um sorriso da moça triste e calada e a meninada se assanhou levando o velho fraco a dançar no terraço com todo o vigor da juventude distante.

Até a moça feia tornou-se bonita no espelho mágico que era a banda do amor. A lua cheia surgiu do esconderijo como corolário de uma cidade toda engalanada para a passagem da banda.

Mas a mudança mágica momentânea, que poderia, com a permanência do amor, ter acontecido para ficar, dissolveu-se em decepção após a passagem da banda e tudo tomou seu lugar com cada um no seu canto a curtir a sua dor.

P.S. Como a banda ensaiava descendo a rua atrás do colégio, a nossa inferência de pertencer ao Luís Eduardo cujos alunos devem se sentir privilegiados de ter um diretor da competência do professor Odinaelton.

Banda do Colégio Luís Eduardo – Setembro de 2019 (antes da pandemia)

 

 

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COMENTÁRIOS

Comentários 1

  1. F. Nery Jr. says:

    Somos testemunha do trabalho [competente] do professor Odinaelton na DIREC (nome já substituído) que já concordou em conversarmos sobre educação. O leitor desejando participar, pode nos enviar algum questionamento neste espaço ou pode, se preferir, enviar para o site.

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