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Ainda é mistério o que teria provocado a mancha escura de cor marrom em 28 km de extensão do Rio São Francisco. Porém, os órgãos ambientais responsáveis pelo monitoramento das causas, apontam a Chesf – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, como suposta culpada.
De acordo com o Instituto do Meio Ambiente (IMA) em Alagoas, após sobrevoos pela área afetada ficou constatado que a mancha pode ter sido provocada pelo esvaziamento do reservatório realizado pela Chesf em Delmiro Gouveia no dia 22 de fevereiro deste ano.
“O esvaziamento para manutenção e reparos nas comportas pode ter provocado a mancha marrom no rio”, frisou Ermi Ferrari, diretor de fiscalização do IMA.
Mancha atinge 28 km de extensão do Rio São Francisco
Gustavo Lopes, diretor-presidente do IMA, acredita a Chesf pode ser a causadora do dano, haja vista que, após a limpeza das barragens, segundo ele, na secagem devem ter descido algum poluente que atingiu o rio.
Ele ressaltou que somente uma análise final, que pode sair até a próxima sexta-feira (17), indicará se de fato pode ter sido o sedimento da limpeza e manutenção do reservatório da Chesf. "A limpeza da mancha só poderá ser feita quando for identificado qual o poluente causador. Até sexta deve sair o resultado de exames laboratoriais da Ufal e do IMA", avisou.
O presidente da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), Clécio Falcão, lamentou a ação da Chesf e criticou a opção dela de não ter discutido com a população sobre o esvaziamento do reservatório.
“Quem perde é a população que está sem o abastecimento de água em oito cidades do Sertão de Alagoas. Estranho que a Chesf não tenha discutido este procedimento com antecedência, resultando em prejuízos econômicos e ambientais”, mencionou. O presidente da Casal disse ainda que o fornecimento de água poderá ser afetado em outras regiões de Alagoas, como Agreste e Bacia Leiteira.
O Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, por meio da analista ambiental, Patrícia Oliveira, frisou que aguarda a análise da coleta da água do rio para se posicionar concretamente sobre a mancha que se espalha pelo velho Chico.
Os técnicos da Chesf, no entanto, se dizem convictos de que o aparecimento desta mancha no São Francisco não tenha relação com o esvaziamento do reservatório, mas sim levantaram a possibilidade de contaminação do rio pelo lançamento de efluentes fora dos padrões em tratamentos de esgoto.
O início da mancha está a cerca de 15 km da cidade de Paulo Afonso e termina próximo de uma das bases do catamarã com 28 km de extensão. Conforme Ermi Ferrari, diretor de fiscalização do IMA, duas notificações foram enviadas à Chesf cobrando o monitoramento após o esvaziamento do reservatório e ao Ibama de Pernambuco também solicitando o relatório de operação pós esvaziamento.
O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas, Alexandre Ayres, salientou que a Semarh acompanha junto aos órgãos ambientais dando suporte ao monitoramento das ações executadas na intenção de identificar qual seria o dano ambiental e o que teria provocado a mancha que se espalha por 28 km do rio afetando oito cidades do Sertão de Alagoas.





