7 de julho de 2022

Negociações do Hospital Nair Alves de Souza


O abraço da comunidade ao Hospital Nair Alves de Souza coincidirá com a data de aniversário da cidade. O presidente da Câmara de Vereadores, Antônio Alexandre, com toda a paixão que lhe é peculiar (política tem que ser feita com paixão), convoca os pauloafonsinos para o evento.


 


O propósito é dizer à  CHESF, com o abração, que Paulo Afonso e região não gostariam de ver o hospital estadualizado. Existe medo. O estado geralmente é mau gestor. A visão de estradas esburacadas e colégios sem verba para a manutenção diária fundamenta o medo. A CHESF que está na cabeça de Alexandre é aquela do doutor Alves de Souza que deixou o próprio coração em Paulo Afonso; é a CHESF de Marcondes Ferraz e do doutor Amaury Menezes. Decididamente  não é a moderna companhia que tem acionistas a quem prestar contas. Em outras palavras, uma companhia que visa lucro, evidentemente o objetivo de qualquer empresa de capital aberto.


 


O que o presidente da nossa Câmara de Vereadores gostaria de ver, para Paulo Afonso e para toda a região, era o propósito social da CHESF, como empresa cuja maioria das ações pertence ao governo, ser considerado como prioridade. O lucro pode vir; tem que vir, mas saúde é fundamental. A massa da energia para o Nordeste sai daqui. Também devemos dizer que o grosso do atendimento hospitalar tem sido, até agora, provido pela CHESF.


 


Vamos falar um pouco de negociações. Negociações sobre o funcionamento e o financiamento do hospital estão em andamento. Não sei se seria ingenuidade sugerir que as palavras e os argumentos saissem mais do coração do que da boca. Afinal, todos somos nordestinos. Um pouco mais um pouco menos que a CHESF venha a gastar com a saúde não será em vão.


 


Há que se argumentar forte; de preferência em Paulo Afonso. Há vantagem quando se argumenta com o pé fincado no próprio campo. Estudar o adversário, precaver-se em relação à sua astúcia e conhecer os seus pontos fracos. As horas iam altas quando o presidente Richard Nixon discutia com o primeiro ministro Nikita Kruschev a redução dos mísseis balísticos internacionais. A certa altura, Kruschev, visivelmente irritado, disse que a conversa cheirava a bosta de cavalo (Nixon usou a palavra shit em suas memóirias). Nixon, que havia estudado a sua biografia, lembrou-se que ele havia sido criador de porcos na juventude. Mandou que o intérprete lhe dissesse que havia algo que fedia mais do que bosta de cavalo e isto era bosta de porco. Kruschev ficou sério por alguns minutos antes de irromper em uma larga gargalhada. Daí para a frente, as discussões ocorreram em um ambiente mais distendido e cordial.


 


Ainda existe a técnica da gaveta. Quando parece não haver solução ou acordo, o melhor é não insistir. Deve-se postergar a discussão para mais tarde ou para o outro dia. O presidente Eisenhower às vezes dizia: Já batemos demais nesse cavalo. Vamos passar adiante



O que realmente não sabemos é se há tempo para postergarmos indefinidamente a solução dos problemas da saúde no Brasil. Na realidade, estamos tratando da saúde  dos nossos concidadãos.
 
 
Francisco Nery Júnior


 

WhatsApp

Conteúdo 100% exclusivo e em primeira mão, que você só vê no PA4!

VEJA MAIS

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

WhatsApp

Conteúdo 100% exclusivo e em primeira mão, que você só vê no PA4!

WhatsApp

Conteúdo 100% exclusivo e em primeira mão, que você só vê no PA4!