5 de julho de 2022

Especial Paulo Afonso, 51 anos – 1ª Parte

Começamos com os “Caminhos da Emancipação” com texto de Antôno de Pádua Salgado.


 


A emancipação de Paulo Afonso surgiu por força do seu progresso. Em 15 de março de 1948, o Governo Federal – Presidente Eurico Gaspar Dutra, criou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF, com a finalidade de aproveitar o potencial energético da Cachoeira de Paulo Afonso.

Em torno das instalações do acampamento da Chesf surgiu uma aglomeração urbana que se desenvolveu a ponto de se tornar o centro mais populoso, de maior renda e o grande suporte das atividades administrativas da série do município – Glória.

Graças ao seu desenvolvimento, a 30 de dezembro de 1953, por força da Lei Estadual de nº 62, passa a distrito. Paulo Afonso tinha tudo pra se tornar cidade, então Abel Barbosa e Silva lançou a campanha “Vamos emancipar Paulo Afonso”.

Esta campanha coincidiu com a época das eleições para renovação da Câmara Municipal e para Prefeitura de Glória. Abel lança-se candidato a vereador representando o distrito de Paulo Afonso, muitos outros candidataram-se com o mesmo objetivo.

Desses, 4 conseguiram eleger-se por Paulo Afonso: Abel Barbosa-PTB, Moisés Pereira-PTB, Otaviano Leandro de Morais-PSB e Hélio Morais Medeiros (Hélio Garagista)-UDN. Apesar das divergências político-partidárias uniram-se em torno da luta pela emancipação.

Numa Câmara composta por nove vereadores, seriam necessários 6 votos (quórum qualificado) para a aprovação do projeto da autoria do vereador Abel Barbosa. Com muito empenho conseguiram, além dos 4 votos que tinham, os votos dos vereadores Amâncio Pereira e Adauto Pereita – conhecido por Adauto Cearense -, pai do professor José Maria.

No dia da votação da Câmara, mês de março de 1956, Moisés Pereira que sofria de problemas renais, teve 3 crises e foi preciso prorrogar a hora da votação, quando Moisés Pereira melhorou e pode ir votar, então aconteceu a vitória. A luta foi árdua, algumas famílias da velha Glória se opunham à emancipação de Paulo Afonso, assim como a própria Chesf.

As perseguições foram muitas, as reuniões para tratar o assunto tinham que ser feitas secretamente. Abel chegou a sofrer uma tentativa de assassinato, em frente ao cinema que havia onde funcionava a Casas Pernambucanas, Av. Getúlio Vargas. Escapou graças a intervenção de Josias Lima (irmão do ex-vereador Batomarco) Xerém.

Da primeira reunião secreta participaram: Luiz Inocêncio Lima (pai do vereador Xerém), Antônio Neto, João Marcineiro, João Sapateiro, Hortêncio e Risalva Toledo (a única mulher a participar da luta pela emancipação).

Vencida a batalha em Glória, partiram para a Assembléia Legislativa do Estado – na época não havia plebiscito, quem decidia tudo era a Assembléia. Lá não contavam com uma representação suficiente para a aprovação do projeto, mobilizaram então a comunidade fazendo com que muitas pessoas enviassem telegramas aos Deputados pedindo apoio.

Cópias desses telegramas foram levados por Abel à Assembléia como forma de pressionar os Deputados. Abel conseguiu firmar um compromisso com o Deputado Otávio Drumond, também do PTB e autor do projeto na Assembléia.

Com muito trabalho e com o apoio desse Deputado, conseguiu o apoio, além de alguns Deputados do PTB, do Deputado Antônio Carlos Magalhães – atual Senador – que sendo o líder da UDN conseguiu os votos dos Deputados do seu partido, do líder do governo na época – Governador Antônio Balbino, do Deputado Lomanto Júnior, do Deputado Valdir Pires, do Deputado Josaphat Marinho. É interessante frisar que o grupo obteve apoio de partidos adversários do PTB, como a UDN, por exemplo.

O projeto de emancipação de Paulo Afonso, chegou a desaparecer da Assembléia Legislativa e o grupo teve que reconstituí-lo, pois estavam atentos a tudo.

Finalmente, a 13 de julho de 1958 o projeto foi aprovado e Paulo Afonso conseguiu a sua Emancipação Política em 28 de julho de 1958.

Por exigência do povo, Abel foi candidato a prefeito, competiu inicialmente com 3 candidatos: José de Oliveira Matos (Marotinho da Farmácia – tio de Tico), Otaviano e Adauto Pereira.

A Chesf, intocável e toda poderosa, não tinha interesse na eleição de Abel, achavam seus dirigentes que ele já havia incomodado demais, além disso pertencia a um partido de trabalhadores – o PTB.

Abel conseguiu que Getúlio Vargas – presidente da república na época e visitando Paulo Afonso – contrariasse a programação estabelecida e fosse ao Sindicato dos Trabalhadores que funcionava de maneira improvisada na Av. Getúlio Vargas.

A medida que crescia a candidatura de Abel aumentava a pressão da Chesf que chegou a demitir muitas pessoas que o apoiavam, como por exemplo: Gilberto da voz do Povo, José Francisco de Cordeiro (Zezito do Fórum), Eliodário. Só não impediram a sua candidatura por que ele contava com o apoio do Governador do Estado e de Deputados da Assembléia estadual.

A Chesf resolveu então investir em Otaviano, por considerá-lo mais maleável e conseguiu que Adauto desistisse da candidatura e apoiasse Otaviano.
Perseguindo os trabalhadores e manipulando a própria Justiça Eleitoral, derrotando assim o grupo de Abel.

Otaviano Leandro de Morais foi o primeiro Prefeito da cidade de Paulo Afonso.

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