5 de julho de 2022

Carlinhos de Tico: Wagner x Geddel e o dilema filosófico

A Bahia em 2006 surpreendeu mais uma vez o mundo político brasileiro e rejuvenesceu a nossa democracia, saiu de uma tradição de Chefe político, inclusive libertando “lideranças” de seu algoz, disciplinados e rebeldes. Há muito o “carlismo” já tinha “parido” o seu filho mais identificado, o insolente Geddel Vieira, cria legitima desta  corrente política, e não menos excêntrico. Foi sem sombra de dúvidas personagem importante nessa mudança, se aliou a Wagner e apoiou o Presidente Lula na Bahia na disputa da reeleição com Alckmin, após a vitória veio a fatura, tendo como fiador o eleito Governador Jaques Wagner, empolgado com a possibilidade futura de ser o sucessor do Presidente Lula, mesmo antes de estrear sua gestão em um dos estados mais emblemático e diverso na política brasileira.


 


Quem lembra, viu através da televisão um Lula constrangido em elevar as alturas o reeleito Deputado Federal Geddel Vieira Lima, que até então só tinha sido uma figura polêmica e menino de recado de FHC, inclusive com ofensas pessoais ao Presidente Lula. Mas a política como a vida é dinâmica, e não podemos esconder a verdade, Geddel com estilo “trator” encantou o Presidente Lula, e hoje é elogiado por esse dinamismo (mesmo que o “preço” a pagar seja alto), já dizia o não menos polêmico e mandatário da política baiana por 40 anos, ACM, que virou grife  na Bahia, talvez se vivo fosse, estaria orgulhoso do seu pupilo.


 


Para lembrar um pouco da história, este sonho acalentado por Geddel, não é de hoje, quem acompanha a política baiana lembra de 1982, quando o favoritíssimo e virtual Governador da Bahia Clériston Andrade morreu em um acidente de helicóptero com outras figuras do cenário político da Bahia, inclusive com um paulafonsino a bordo que tinha dada como certa sua eleição para  Deputado Federal, o ex prefeito de Paulo Afonso, Adauto Pereira, pois bem, com o sumiço de Clériston Andrade, todos do meio dava como certo a indicação de Afrisio Vieira Lima para Governador – Pai de Geddel), mas Antonio Carlos Magalhães, que era Governador e imbatível naquele momento, como um mágico e gênio da política tira da cartola o nome de João Durval Carneiro, político inexpressivo e com perfil de obediente, preterindo assim a indicação de Afrisio Vieira Lima(ACM não contava com a fera D. Yeda Barradas Carneiro, mulher de João Durval e eminência parda do mesmo), daí é que começa o principio de nossa redemocratização na Bahia, que acendeu um pouco com a eleição direta de Waldir Pires(o mesmo apagou essa luz por dezesseis anos) e culmina em 2006 com a eleição do atual Governador Jaques Wagner.


 


Um pouco da história acima é necessário para a gente chegar a essa disputa atual entre Wagner e Geddel ou PT X PMDB, seja qual for o nome, devemos enxergar que boa parte dessa criação se deve a Jaques Wagner, pois todos na Bahia já dava como certo que Geddel seria candidato, quisesse Wagner ou não, lembro bem que após três meses da posse do Governador Wagner, em um almoço no Restaurante Barbacoa em Salvador, junto com uns amigos o ex Deputado Eujácio Simões Filho me falou: “…Geddel é candidato a Governador, queira Wagner ou não, e vou falar isso para Wagner…”. Ta aí, provado que Eujácio tinha razão, e com ele milhares que fazem política e consegue enxergar pelo menos alguns milímetros a frente do nariz. Falei isso para o Deputado Paulo Rangel – PT e outras vezes para o Deputado Joseph Bandeira- PT, mas eles como outras pessoas até então não tinham isso bem claro para poder cobrar uma posição do Governador, numa visão mais simplista, alguns defendiam a imediata exoneração dos secretários indicados por Geddel, que diga se passagem duas das principais secretarias para operar a política, Infra Estrutura e Indústria e Comercio, e prevendo a saída de Geddel em setembro do ministério, ai ficaria mais fácil de ser combatido, pois estaria enfraquecido no velho fisiologismo, e na Bahia tenham certeza o herdeiro das “viúvas” do carlismo não é ninguém do DEM, e sim Geddel, até porque correu atrás e tem algo a oferecer como obras e favores governamentais, e outras ficaram tradicionalmente com Paulo Souto, Cesar Borges, Otto Alencar e ACM Neto. A disputa se assim for vai ser boa e render vários índices de audiência na imprensa nacional, e a Bahia não será lembrada como terra de Castro Alves e Gregório de Matos, mas dessa figuras acima, pelo menos nesse período.


 


Esta luta ou disputa nos leva ao campo filosófico da vida, podemos dizer que o Governador está mais para Pirro, o formulador do ceticismo, pensador radical que viveu (360 a.c) na cidade de Élis, Grécia. Pirro viu seu mestre com a cabeça entalada num poço. Parou, olhou e seguiu em frente. O povo quis matá-lo por isso, mas seu mestre, salvo por outras pessoas, era tão extremado quanto ele. Não somente o perdoou como elogiou em público pela coerência. Pirro explicou ao povo que, se não podia julgar o que via, não podia decidir sobre o destino de seu mestre. Talvez ele se salvasse, talvez não, quem poderia saber ao certo? De longe que o Governador Wagner não é um homem radical, pelo contrário, muito afável e articulador, mas como os céticos será que ele está agindo com indiferença as declarações de Geddel e do PMDB? Pois segundo o ceticismo a indiferença nos leva ao estado total de tranqüilidade e todos os juízos de valor nos causam estresse e angústia.


 


Ou o Governador Jaques Wagner estaria mais para o cinismo de Diógenes (413-324 a.C), não o cinismo de escroques dos dias atuais, como Sarney, Renan e outros, mas o formulado por Diógenes, onde ele ensinava seus discípulos que deviam desprezar as leis não para burlá-las, mas porque eram apenas convenções para ocultar ilícitos abomináveis. Ele era um combatente do malfeito, não um adepto do malfeitor. Seus valores máximos eram a subversão e a insolência, negava deuses e mestres, não se curvava a nenhum poder político, moral ou religioso. Rebeldes até a medula, foram os primeiros anarquistas da história.Longe do Governador ser um anarquista, mas e o outro?


 


Conta-se que Alexandre, o Grande, encontrou Diógenes no campo (ele vivia ao relento) e perguntou o que poderia fazer por ele. Diógenes atrevido, respondeu que seu maior desejo naquela hora era que Alexandre não fizesse sombra ao sol que estava tomando.


Então fica o dilema, será que o Governador Jaques Wagner vai fazer como Pirro, vendo seu governo entalado e deixando as coisas acontecerem por não poder julgar o que ver, ou vai fazer como Diógenes, mandar Geddel sair da frente do Sol? Pois está fazendo sombra ao seu governo e que desrespeitosamente nega seu nome como Governador pelo interior da Bahia, ao mesmo tempo que opera dentro do seu Governo. Governador, a Bahia precisa brilhar e crescer como merece, e o senhor sabe como fazer isso, não precisa mais esperar para acontecer com Geddel, pois ele já está fazendo acontecer.

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