5 de julho de 2022

José Francisco – “Ó a cocaaada!”

“Ó a cocaaada… Cocadinha boooa!”. Quem nunca ouviu isso, hein? Muito mais fácil perguntar quem não conhece o senhor José Francisco, 73 anos, do que o contrário. Porém, apesar de estar presente em nosso cotidiano, muita gente passa por ele pelas ruas, mas nem se dá conta de que já se tornou uma figura histórico-cultural de nossa cidade.


Natural de Inajá, Pernambuco, Seu Francisco saiu cedo de casa, chegando a Paulo Afonso em meio aos seus 15 anos. Serviu o Exército em Aracajú e de lá, dispensado, rodou por diferentes cidades do país. Morou em Salvador, trabalhou em época de safra de café no Paraná, trabalhou em armazém no Rio de Janeiro, mas foi em São Paulo que os seus trabalhos começaram a tomar outros rumos.


Trabalhando na época em fábricas da cidade de São Paulo, ele sempre comprava seu jornalzinho, e foi durante essas leituras que viu anúncios de emprego como figurante em filmes e novelas – e lá foi ele atrás do novo trabalho. Fez uma figuração, duas, três… Foram no total cinco trabalhos como figurante no Cinema Nacional, chegando até a trabalhar com o saudoso Mazzaropi. Pela região, fez figuração nos seriados “O Cangaceiro” e “Padre Cícero”, da Rede Globo. Também foi peão e palhaço de rodeio em São Paulo e Minas Gerais por seis anos.


Seu Francisco é daquelas pessoas que podemos dizer que fez de tudo um pouco nessa vida, servindo de exemplo para as novas gerações, com experiência e histórias de sobra para contar. Depois de suas andanças Brasil afora, José Francisco retornou a Paulo Afonso e foi aí que iniciou o que hoje lhe faz muito conhecido.


Começou com carrinhos de bala junto com a irmã. Era ele num e ela em outro. Vendiam na feira, em frente à igreja Perpétuo Socorro e na “rua da frente”. Depois deixou o carrinho de bala e passou a vender tapioca e cocada, carregando-as no ombro pelas ruas da cidade. Já faz aproximadamente vinte anos que Seu Francisco vende as cocadas. Quem as faz é sua irmã, embora, nesses tantos anos, ele já tenha aprendido a receita.


A venda sempre foi um complemento à renda, bem como uma ajuda na criação de seus sobrinhos. Solteiro e sem filhos, Seu Francisco mora com a irmã, na casa que construíram com muito esforço, fruto da renda das suas vendas. Acorda às 7h da manhã para o preparo das cocadas; sai para vender às 13h e fica na rua até as 16h, somente dois ou três dias na semana.


Muitos podem pensar que devido às suas andanças costumeiras, Seu Francisco não sofra de problemas de saúde, mas… “É por que eu ando muito, né? Aí eu andando espaireço, mas se eu não andasse… Ficar parado não posso! Quando eu não estou vendendo cocada, estou andando pelas ruas”, diz ele, que tem lá seus probleminhas de saúde, mas nada que impeça a venda de seu já consagrado e saboroso quitute.

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