15 de agosto de 2022

Professor Nery comenta abordagem policial no centro de Paulo Afonso e diz: ‘Foto chocante!’

Foto chocante – Abordagem policial no centro de Paulo Afonso

A foto é chocante (veja abaixo). Indiscutivelmente chocante. Imagine-se o leitor na situação da foto publicada! Imagine-se você naquela situação na frente da sua família; dos seus filhos, da sua mulher, da sua sobrinha, da sua sogra: você, leitor, de mãos para cima, uma arma em ângulo na sua direção, mãos grosseiras a lhe apalpar (sim, os órgãos todos íntimos do infeliz são competentemente revistados), botas de couro entre as pernas em plena luz do dia em pleno centro da cidade, em pleno horário de movimento! Imagine ainda o senhor prefeito, o senhor juiz, o senhor presidente da Câmara naquela situação, tomando como base e como certo que a lei é para todos. A lei é para todos de acordo com a Constituição!

Ao tempo desta escrita, continuo amigo da Polícia. Mantenho-lhes os méritos. Reconheço-os defensores da comunidade. Eles nos defendem! Tirem os policiais das ruas e vejam as consequências. Eles estão morrendo sob as armas vingativas dos meliantes, principalmente nos grandes centros do Brasil – também já em comunidades pequenas. Policial morto por bala de bandido deveria ser, em minha opinião, policial vingado, melhor dizendo, justiçado por leis especiais – leis duras.

Ele, o policial, está na rua, embora no belo centro de Paulo Afonso, sob tensão. Está cumprindo o seu dever. Nós o colocamos lá para isto, ad hoc mesmo. Esta é uma das ocasiões em que o latim carrega eficientemente o que queremos dizer. Eles são os nossos protetores, merecem respeito, merecem ser melhor protegidos, merecem melhor remuneração. Merecem muito mais. A maioria se enquadra no patamar de bom policial.

Mas a abordagem feita como demonstra a foto, embora possa ser legal, é constrangedora. Não estava sendo feita em uma boca de fumo. A situação não era de estado de guerra (vamos nos lembrar de que a polícia da foto é polícia militar). Os cidadãos abordados – daquele jeito – passavam, no seu direito de ir e vir, pelo centro da cidade em presunção de inocência.

Um cidadão pressuposto inocente ser parado, ter colocadas as mãos no pescoço, ter as pernas abertas com os pés descalços (a sandália intrigantemente virada para cima), isto é conclusivamente vexatório.

O questionamento poderia ser na direção da discrição. Tomando como certo que a operação é legal, necessária haja vista o aumento da criminalidade e da insegurança, não poderia ela ser executada com moderação, discrição, parcimônia e amor ao próximo? Desse jeito, o apoio da população à nossa gloriosa Polícia não aumentaria? O leitor observador verifica um trailer no fundo da foto. Não seria o caso de a abordagem ser feita lá por dentro? Não poderia ser providenciado um biombo para tal fim; longe dos olhos dos curiosos e das lentes indiscretas – porém vigilantes – da imprensa?

Ontem, assisti, na televisão, alguém cobrar a participação da academia brasileira no processo político e administrativo do Brasil. Ela está retraída e recolhida nos seus ambientes de pensar. Seria melhor sair para fora e colaborar; pragmaticamente colaborar. Nos países desenvolvidos, ela – a academia e toda a intelligentsia do país – participa e colabora. É solicitada a colaborar. Assessora e oferece alternativas e soluções. Órgãos especiais do governo garimpam sugestões publicadas. Poderíamos fazer as mesmas coisas. É o que estamos a fazer neste site e nesta coluna.

Francisco Nery Júnior (Colunista do Portal Ozildo Alves)
 

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