3 de julho de 2022

Panis Et Circenses – Por Filipe Magalhães

No império romano quando o momento era de crise, tudo era escasso, para o povo se acalmar, não reclamar e, não se revoltar contra o poder dominante da época, era utilizado a política do ‘PÃO E CIRCO’; ou seja eram construídas enormes arenas(Coliseu foi a principal), nas quais se realizavam  os sangrentos espetáculos do gladiadores (escravos treinados para matar ou morrer e, suas vidas ficavam na dependência da plateia, que com um indicador do polegar determinava se deveriam viver ou morrer). Esses espetáculos envolviam homens e animais selvagens. Também eram realizados eventos como corridas de bigas, quadriguas, acrobacias, bandas, palhaços e corridas de cavalos.  Enquanto o espetáculo acontecia, alguns servos eram incumbidos de jogar pão nas arquibancadas. Dessa forma, o povo não reclamava dos problemas que os acometiam ou alguma crise política que poderia estar em pauta no momento. Ao patrocinarem a diversão e a comida gratuita ao povo, o mesmo se esquecia momentaneamente desses problemas, e quando se lembrassem, os fervores do momento já haviam passados; dessa forma, o povo de barriga cheia e diversão garantida ficava mais calmo, pacífico e voltava para casa sem reclamar e protestar das injustiças sofridas, se sujeitando uma vez mais aos desmandos dos Césares da época e relegando decisões importantes a esses líderes políticos sem participarem ativamente do processo.


 


A política do pão e circo que foi muito utilizada na Roma antiga continua muito atual hoje em dia, o que demonstra mudarem-se os povos, os lugares, mas não o modo de agir do ser humano. Essa política circense está cada dia mais em voga. Se de repente surge algo importante e que merece a atenção popular para se conhecer o seu candidato e ao mesmo tempo esse assunto pode pôr em risco  sua candidatura ou mandato, é promovida imediatamente uma mega-atração para desviar a atenção popular do assunto em foco.


 


Com tanto pão e circo, não é de se admirar que o povo vote naquele que mais espetáculo propiciar, naquele que fez mais promessas ou deu mais “pão”. Não se preocupam em conquistar o voto, em incutir no povo o voto consciente e justo, querem comprar o voto a qualquer custo. Que se regalem com esses shows, pois a população vai ficar penando o restante do mandato na miséria e na dependência dos favores políticos do coronel atual que reinará no trono da Prefeitura e da Câmara, sabendo que seu preço foi bem pago em cada show-mício patrocinado pelo político no qual elegemos.


 


Bertold Brecht tem razão em sua abordagem: O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
 


Obs: O leitor pode estranhar a composição do texto: Introdução e desenvolvimento, pois vou deixar a conclusão pra vocês. Façam o maior número de comentários possível, críticas construtivas ou não, sugestões e/ou elogios, só assim teremos um perfil do público atingido.

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