5 de julho de 2022

Dolores Moreira – A arte pulsa em suas veias

Foi com 14 anos que Dolores Moreira descobriu que queria fazer algo de diferente. Um dia resolver ir ao COPA (Clube Operário de Paulo Afonso) e falou para Galdino, atual gerente na época, que queria se reunir com um pessoal de sua rua, alguns colegas, para fazer teatro. Pois bem, se juntaram e formara o GETAPA, Grupo Experimental de Teatro Amador de Paulo Afonso.


 


O primeiro espetáculo que ela escreveu e montou chama-se “Conflitos de uma Geração”. Nesse espetáculo foi falado todo tipo de questionamento da época; sobre aborto, divórcio, racismo, vida e morte. Ali ela já esboçava uma linguagem que mais adiante veio a definir como uma linguagem própria, artística.


 


Dolores viu surgir o teatro em sua vida de forma muito experimental. Foi no COLEPA que teve suas primeiras aulas de teatro com a professora Salete Azevedo, uma paraibana que tinha feito teatro com Elba Ramalho.


 


“Meu pai uma vez sentou comigo e falou pra mim que isso não tinha futuro… Minha mãe hora incomodava, hora não, mas… Acho que foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida, na minha juventude. Eu fui uma pessoa cheia de compromissos, eu tive tempo pra pensar muito mais nas coisas. Foi muito bom eu ter feito essa escolha.”


 


Além de ter morado em Salvador, Dolores também morou em São Paulo e Rio de Janeiro. Estudou, viveu e conheceu nessas cidades, construindo referenciais que lhe deram outra visão de como fazer arte. Dizer que ela trouxe o teatro a Paulo Afonso isso não pode ser dito, mas pensando profissionalmente sim.


 


Formada pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) em Artes Cênicas e pós-graduada em Teatro, Dolores atualmente trabalha na Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte da cidade, além de ser sócio-fundadora da APDT (Associação Pauloafonsina de Dança e Teatro), a qual já levou cidade afora, seus belíssimos e aclamados espetáculos.


 


“Sobrevivo de arte por que se o que eu faço é arte, então a arte é o que me garante a sobrevivência. Agora vou lhe dizer, é bem difícil, bem difícil… O que eu pretendo em relação ao teatro em Paulo Afonso, isso quando eu tinha 14 anos, foi por uma escolha que eu achava que o mundo poderia ser modificado e ainda acredito nisso, a arma que poderia ser utilizada era a arte. Não que ela seja a premissa básica para que haja uma transformação no mundo, mas ela pode dar uma grande impulsão”, assim completou Dolores Moreira.

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