6 de julho de 2022

Preso PM de Pão de Açúcar acusado de comandar grupo de extermínio que atua em três estados

Uma operação do Complexo de Operações Policiais Especiais da Polícia Civil (Cope) e do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE), com apoio da Divisão de Planejamento e Investigação Policial (Dipol), prendeu o policial militar Giuseppe Amaral Carvalho. O militar foi preso na casa de parentes no terceiro andar do edifício Adriana, no bairro do Jacintinho, zona sul de Maceió, capital de Alagoas.

De acordo com o delegado Marcelo Cardoso, diretor do Cope, a polícia chegou até o foragido graças a um trabalho de inteligência com cruzamento de dados e levantamentos dos endereços dos parentes do acusado. “Chegamos ao local de surpresa e não houve tempo para reação. Aliás, ele colaborou abrindo a porta do apartamento”, explicou Marcelo.

A polícia confirmou que os parentes do acusado sabiam que ele era foragido do presídio, mas, mesmo assim, o acobertaram. Em relação aos homicídios praticados por Giuseppe, o delegado informou que esta investigação é feita pela polícia de Pernambuco. Ainda hoje, o promotor Jarbas Adelino, que participou da entrevista coletiva realizada às 12h, na Academia da Polícia Civil (Acadepol), irá ouvi-lo e marcar a oitiva no Inquérito Policial Militar (IPM).

Fuga

Giuseppe fugiu do Presídio Militar (Presmil) na madrugada do dia 10 de fevereiro, horas antes de ser transferido por policiais da Polinter de Pernambuco, para Recife, onde é suspeito de participar de um grupo de extermínio acusado de matar mais de 40 pessoas. De acordo com o promotor Jarbas Adelino, em Sergipe o acusado responde pelo crime de deserção (abandono do trabalho). Além disso, existem indícios claros de que o policial foi reincorporado, irregularmente, nos quadros da Polícia Militar.

A promotoria não descarta também a possibilidade da existência de crime de corrupção passiva na tentativa de fuga do Presmil. “Existe um mandado de prisão em aberto oriundo da vara do júri do Estado de Pernambuco, através do qual ele foi preso. Por isso, em um curto espaço de tempo ele deverá seguir para Recife”.

Em Pernambuco ele responde pelo crime de homicídio e em Sergipe tem uma reinclusão, que segundo o promotor Jarbas Adelino, é totalmente irregular. Com o acusado, a policia encontrou uma bíblia contendo um celular, R$ 1.500 em dinheiro, documentos pessoais, uma carteira de identificação da Polícia Militar de Sergipe e três contracheques, sendo um de abril de 1986 e dois recentes de setembro e outubro de 2008.

A promotoria informou que uma das perguntas que ainda necessita de resposta é saber como Giuseppe conseguia trabalhar em Sergipe e morar em Recife, que fica a mais de 500 km de distância. Outro questionamento é saber quem o reincorporou à PM quando ele estava fora da corporação. Por questão de segurança, a polícia não revelou o local onde Giuseppe ficará custodiado. Por fim, o promotor Jarbas Adelino disse que existe a possibilidade de outros policiais serem indiciados por crimes praticados em parceria com Giuseppe.

Natural de Pão de Açucar, Giuseppe, entrou na corporação da Policia Militar de Sergipe em 1986, no iníco da década de 90 foi “recrutado” por fazendeiros sergipanos e alagoanos para formar um grupo, intitulado de “Missões” que “daria fim” aos ladrões de gado que atuariam na região.

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