6 de julho de 2022

Nome do deputado Aleluia é citado no escândalo da construtora Camargo Correia


Reportagens extraídas do Jornal “O Estado de São Paulo” e “Jornal Nacional”


 


Fausto Macedo e Roberto Almeida – O Estado de S.Paulo


Diretores da Camargo Corrêa citam ‘pasta de eleições’ com lista de ‘todos os caras que foram pagos’


 


Grampos telefônicos da Castelo de Areia, operação integrada da Polícia Federal com a Procuradoria da República, revelam intensa movimentação da cúpula da empreiteira Camargo Corrêa em suposto esquema de doações “por fora” para políticos e legendas.
Sete partidos (PSDB, PDT, DEM, PP, PPS, PMDB e PSB) – além dos senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e deputados, entre eles José Carlos Aleluia (DEM-BA) – são citados como beneficiários de recursos que a PF supõe terem sido desviados de obras superfaturadas.


Diálogos interceptados pela Inteligência da PF revelam passo a passo como agiam os principais executivos da empreiteira, que faturou R$ 16 bilhões em 2008. As escutas fazem a PF supor que a Camargo Corrêa mantinha duas contabilidades para repasses a políticos – uma oficial e outra paralela, sem comunicação à Justiça Eleitoral.


O alvo maior da operação é um pen drive com relação de políticos que teriam recebido propinas da empreiteira. O arquivo digital foi revelado naquela conversa que a PF interceptou, entre Bianchi e Gomes, executivos da empreiteira presos na quarta-feira. Os dois falam de José Carlos Aleluia e de um suposto pagamento a ele. “Não sou candidato e não é primeira vez que bandidos falam nomes de pessoas”, reagiu o deputado do DEM. “Não tenho absolutamente contato, nem oficial nem extraoficial, com a Camargo Corrêa. O governo começa a espalhar coisas para cobrir o drama que está vivendo. Não recebo doação que não seja legal.”


Os grampos são o fundamento mais contundente dos decretos judiciais de prisão de quatro dirigentes da construtora – Dárcio Brunato, Pietro Francesco Giavina Bianchi, Fernando Dias Gomes e Raggi Badra – e quatro doleiros, entre eles Kurt Pickel, apontado como articulador de um esquema de remessas ilegais para paraísos fiscais e lavagem de valores.


Além de políticos e siglas, os grampos citam frequentemente a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e seu presidente, Paulo Skaf. Também é mencionado em vários contatos Luiz Henrique, diretor da Fiesp baseado em Brasília e cuja missão seria fazer a ponte da entidade com o Congresso.


Fernando Dias Gomes, segundo a PF, “se coloca em constante comunicação e contato pessoal com o doleiro Kurt”. Em diálogo de 10 de outubro, Gomes fala sobre “umas contribuições“. Para a PF, ele se refere a doações para campanhas políticas, indicando uma empresa do grupo como doadora de R$ 50 mil e contribuição de R$ 100 mil “para o Mendonça Filho, de Recife (candidato a prefeito em 2008)”, além de citar repasse de R$ 300 mil para o PMDB do Pará, “aprovado por fora”. Os investigadores dizem que esse grampo “indica a ausência de contabilização oficial de tais doações”. Procurado, Mendonça Filho (DEM) afirmou em nota que as doações da Camargo Corrêa para sua campanha foram legais. O valor, segundo ele, foi de R$ 300 mil.


Em outra conversa, 21 de janeiro, Gomes afirma que Dárcio Brunato “tem um pen drive com todas as contribuições eleitorais”. Um grampo indica que Bianchi também teria cópia das planilhas com nomes de políticos que podem ter recebido propinas. Relatório da PF assinala: “Pietro diz que possui uma pasta com tais contribuições, constando duas formas de contribuições, a oficial e a ‘por fora’”.


Segundo a PF, diálogo de 23 de setembro entre Bianchi e um certo Marcelo “deixa claro a realização de doações por fora, irregularmente, por parte da Camargo Corrêa, a partidos políticos em campanha”.


A PF destaca diálogo de 3 de julho de 2008, por meio do qual Dárcio Brunato comenta sobre um cheque destinado a campanha eleitoral e instrui seu interlocutor para que encaminhe o dinheiro a Raggi Badra,”fato que confirma as doações a políticos em campanha”.


Para a PF, Bianchi “destaca-se como principal articulador” do esquema político. Em conversa gravada, ele confirma a Fernando Botelho, sócio da Camargo Corrêa e vice-presidente da Fiesp, o repasse de dinheiro a um representante da entidade, em Brasília. O dinheiro seria destinado a “PSDB e PS, 200 para um e 200 para outro”.


“Fernando se mostra insatisfeito pela ausência de detalhes de tal repasse e teria sido cobrado por Paulo Skaf, presidente da Fiesp, quanto à sua não-realização”, assinala a PF.


Bianchi, após ser cobrado por Botelho, questionou Brunato sobre remessa de R$ 550 mil para Brasília e sua real destinação. Brunato esclarece que o dinheiro fora repassado para a Fiesp em Brasília.


 


G1 com informações do Jornal Nacional


PF indicia dois funcionários da Camargo Corrêa


 


Ele são acusados de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Escutas também põem empreiteira sob suspeita de crime eleitoral.


A investigação da Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira (27) uma secretária e um diretor da Camargo Corrêa presos durante a Operação Castelo de Areia. O diretor Raggi Badra Neto e a secretária Darcy Flores são acusados pela polícia dos crimes de câmbio ilegal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.


A investigação também pôs a empreiteira sob suspeita de crime eleitoral. As suspeitas da polícia sobre a prática de crimes eleitorais são baseadas em conversas entre executivos da Camargo Corrêa gravadas durante a investigação.


Num dos telefonemas interceptados na sede da Camargo Corrêa, a conversa é entre dois diretores agora presos: Pietro Bianchi e Fernando Dias Gomes.

O analista da PF escreveu: os dois diretores falam sobre contribuição dada no passado para o Aleluia, da Bahia. Possivelmente, diz ele, estão se referindo ao deputado baiano José Carlos Aleluia, do DEM.

“O que o Luiz está querendo aí?”, Pietro pergunta.
E Fernando responde: “É do José Carlos Aleluia, saber se foi pago alguma coisa no passado.”
“Mas pagamos, não?”
“Eu vou dar uma olha lá em baixo para ver se eu acho”, Fernando responde.


O deputado José Carlos Aleluia nega as acusações e diz que elas são uma tentativa de calar a oposição. O partido dele, Democratas, diz que só recebe doações de forma legal.

No mesmo diálogo, segundo o analista, Fernando diz que outro diretor tem um arquivo eletrônico com as contribuições eleitorais. Pietro afirma que também tem uma pasta com informações.

“Tem aquela pasta de eleições. E lá tem todos os caras que foram pagos. A relação inclusive… A colaboração oficial”, Pietro diz.
E Fernando pergunta: “Tem as duas, né?”


O delegado Otavio Russo conclui: “Há indícios de que algumas das entregas de dinheiro para partidos políticos ocorreriam à marg�������� 6�� ��


Reportagens extraídas do Jornal “O Estado de São Paulo” e “Jornal Nacional”


 


Fausto Macedo e Roberto Almeida – O Estado de S.Paulo


Diretores da Camargo Corrêa citam ‘pasta de eleições’ com lista de ‘todos os caras que foram pagos’


 


Grampos telefônicos da Castelo de Areia, operação integrada da Polícia Federal com a Procuradoria da República, revelam intensa movimentação da cúpula da empreiteira Camargo Corrêa em suposto esquema de doações “por fora” para políticos e legendas.
Sete partidos (PSDB, PDT, DEM, PP, PPS, PMDB e PSB) – além dos senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e deputados, entre eles José Carlos Aleluia (DEM-BA) – são citados como beneficiários de recursos que a PF supõe terem sido desviados de obras superfaturadas.


Diálogos interceptados pela Inteligência da PF revelam passo a passo como agiam os principais executivos da empreiteira, que faturou R$ 16 bilhões em 2008. As escutas fazem a PF supor que a Camargo Corrêa mantinha duas contabilidades para repasses a políticos – uma oficial e outra paralela, sem comunicação à Justiça Eleitoral.


O alvo maior da operação é um pen drive com relação de políticos que teriam recebido propinas da empreiteira. O arquivo digital foi revelado naquela conversa que a PF interceptou, entre Bianchi e Gomes, executivos da empreiteira presos na quarta-feira. Os dois falam de José Carlos Aleluia e de um suposto pagamento a ele. “Não sou candidato e não é primeira vez que bandidos falam nomes de pessoas”, reagiu o deputado do DEM. “Não tenho absolutamente contato, nem oficial nem extraoficial, com a Camargo Corrêa. O governo começa a espalhar coisas para cobrir o drama que está vivendo. Não recebo doação que não seja legal.”


Os grampos são o fundamento mais contundente dos decretos judiciais de prisão de quatro dirigentes da construtora – Dárcio Brunato, Pietro Francesco Giavina Bianchi, Fernando Dias Gomes e Raggi Badra – e quatro doleiros, entre eles Kurt Pickel, apontado como articulador de um esquema de remessas ilegais para paraísos fiscais e lavagem de valores.


Além de políticos e siglas, os grampos citam frequentemente a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e seu presidente, Paulo Skaf. Também é mencionado em vários contatos Luiz Henrique, diretor da Fiesp baseado em Brasília e cuja missão seria fazer a ponte da entidade com o Congresso.


Fernando Dias Gomes, segundo a PF, “se coloca em constante comunicação e contato pessoal com o doleiro Kurt”. Em diálogo de 10 de outubro, Gomes fala sobre “umas contribuições“. Para a PF, ele se refere a doações para campanhas políticas, indicando uma empresa do grupo como doadora de R$ 50 mil e contribuição de R$ 100 mil “para o Mendonça Filho, de Recife (candidato a prefeito em 2008)”, além de citar repasse de R$ 300 mil para o PMDB do Pará, “aprovado por fora”. Os investigadores dizem que esse grampo “indica a ausência de contabilização oficial de tais doações”. Procurado, Mendonça Filho (DEM) afirmou em nota que as doações da Camargo Corrêa para sua campanha foram legais. O valor, segundo ele, foi de R$ 300 mil.


Em outra conversa, 21 de janeiro, Gomes afirma que Dárcio Brunato “tem um pen drive com todas as contribuições eleitorais”. Um grampo indica que Bianchi também teria cópia das planilhas com nomes de políticos que podem ter recebido propinas. Relatório da PF assinala: “Pietro diz que possui uma pasta com tais contribuições, constando duas formas de contribuições, a oficial e a ‘por fora’”.


Segundo a PF, diálogo de 23 de setembro entre Bianchi e um certo Marcelo “deixa claro a realização de doações por fora, irregularmente, por parte da Camargo Corrêa, a partidos políticos em campanha”.


A PF destaca diálogo de 3 de julho de 2008, por meio do qual Dárcio Brunato comenta sobre um cheque destinado a campanha eleitoral e instrui seu interlocutor para que encaminhe o dinheiro a Raggi Badra,”fato que confirma as doações a políticos em campanha”.


Para a PF, Bianchi “destaca-se como principal articulador” do esquema político. Em conversa gravada, ele confirma a Fernando Botelho, sócio da Camargo Corrêa e vice-presidente da Fiesp, o repasse de dinheiro a um representante da entidade, em Brasília. O dinheiro seria destinado a “PSDB e PS, 200 para um e 200 para outro”.


“Fernando se mostra insatisfeito pela ausência de detalhes de tal repasse e teria sido cobrado por

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