Francisco Nery Júnior: ‘Adeus à Cachoeira’

Por REDAÇÃO - PA4.COM.BR | 7 de Janeiro de 2019 às 19:42

Cachoeira de Paulo Afonso. Foto/Arquivo: Viagens e Caminhos.

 

No título, a senhora imponente, vetusta e formidável de tempos atrás, vem, como bem merece, com letra maiúscula. Todos a amávamos. Ouvíamos à distância o estrondar das suas águas, testemunhávamos o quedar das suas forças e sonhávamos com o desenvolvimento do Nordeste. Dom Pedro II deixou a afável Petrópolis e suou em lombos de burro para contemplar a famosa cachoeira. Castro Alves descreveu em versos memoráveis a sua pujança.

 

Como os entes queridos que nos deixaram, também nos deixou a nossa cachoeira. O descaso com o São Francisco e a imperiosa retenção de grande parte do volume de água do rio na barragem de Sobradinho decretaram a sua morte. Temos que esquecer a nossa cachoeira. Ficamos com o seu esqueleto, suporte do famoso véu de noiva. Agora o contemplamos, reverenciamos e … choramos.

 

Francisco Nery Júnior.

Água, daqui pra frente, é para irrigação, para a chamada transposição e para a produção de energia elétrica. Com a provável volta do crescimento da economia brasileira (com Temer já houve uma recuperação em torno de 7%), o sistema elétrico terá que se expandir na proporção de 5% ao ano. Então, perdemos a nossa cachoeira.

 

A cidade de Paulo Afonso terá que ser “reinventada”. Há que se desgrudar do chão e tentar voos mais altos; sair do primeiro nível. Como no sistema parlamentarista, que os brasileiros incompreensivelmente rejeitaram, o prefeito municipal poderia se ocupar da formatação geral da política administrativa e do gerenciamento do orçamento; se encarregaria do “desgaste” do dia a dia de uma prefeitura e um gestor tipo primeiro-ministro mergulharia, com todo o tempo do mundo, na administração. É assim que é administrada a cidade de Worcester (de quase 500 mil habitantes) em Massachusets.

 

Sem cachoeira, livres da crise econômica que retarda o nosso desenvolvimento, vamos continuar a crescer. O ministro Paulo Guedes acaba de afirmar que uma crise não dura mais que um ano e meio. Vamos crescer, mesmo sem a cachoeira. Se trabalharmos, pouparmos e investirmos, certamente cresceremos.

 

Francisco Nery Júnior







2 pensamentos em “Francisco Nery Júnior: ‘Adeus à Cachoeira’”

  1. Uma pena eu que sou de 81 tenho 37 anos e estou lendo um livro do escritor Antônio Galdino da Silva
    DE FORQUILHINHA A PAULO AFONSO

    Tem várias histórias sobre à cachoeira de Paulo Afonso; Quando o pesquisador Halfeld em 1860 ouviu a cachoeira numa distancia de menos de légua é que se ouvia o ruído dela. segundo o Imperador D.Pedro que logo que soube da 7 cachoeira veio conferir: ficou encantado com o que viu /hoje é apenas um esqueleto e eu que sonhava em ouvir as águas do velho chico como era antes mais à natureza não tem veis aqui em PAULO AFONSO vejo aqui no bairro onde eu moro as beiras de rios se acabando aos poucos e quem deveria fazer algo não faz tem focalização para essas granjas como é que fazem se jogam algo dentro dos rios Bom só sei que o Rio São Francisco está morrendo e se não cuidar ae Paulo Afonso acaba também. Sem Rio São Francisco como fica ,hoje já realidade que à cachoeira é um esqueleto e o tempo vai chegar pro Rio também .espero que não eu acredito em um Brasil melhor pra todos com saúde e paz e natureza junta .

  2. Qual o projeto que a Chesf fez para revitalizar o rio são Francisco?
    Nunca fez.
    Quer conhecer o rio ?
    Vai no baixo são Francisco;
    Vai em Xique Xique
    Vai lá em bom Jesus da Lapa vai lá ver o assoreamento que o Rio está passando.
    Milhões de lucros a Chesf teve e nada de cuidar da matéria prima que faz com que gere energia.
    A solução è privatizar pois quem comprar tentar que cuidar do rio.
    Não é difícil não executar um projeto para revitalizar basta querer.
    Agora sei que os puxas sacos irão criticar meu comentário.
    Principalmente com aquela velha frase”inveja porque não passou em concurso”
    Só sabem falar isso,
    Lamentável a situação do rio.

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