Em Delmiro Gouveia, mãe suspende velório de filha esperando por ressurreição; médico e polícia são acionados

Por REDAÇÃO - PA4.COM.BR, COM INFORMAÇÕES DO UOL | 5 de Janeiro de 2019 às 21:40

Grupo de pessoas se reúne em frente à casa onde Jéssica Lima estava sendo velada; família interrompeu o velório. Imagem: Reprodução/Whatsapp



 

 

A família de uma mulher de 23 anos que morreu no hospital de Palmeira dos Índios (AL) interrompeu o velório da jovem e chegou a retirar seu corpo do caixão, na esperança de que ela ressuscitasse. Apenas a intervenção da polícia e de um médico permitiu que ela fosse enterrada.

 

Jéssica Lima, 23, passou mal no dia 23 de dezembro e foi socorrida para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Delmiro Gouveia (AL). Segundo a direção do centro médico, a paciente sofreu diversas paradas cardíacas e, devido ao estado grave de saúde, foi transferida para o hospital de Palmeira dos Índios, mas teve uma infecção generalizada e morreu na madrugada da última quinta-feira (3).

 

O velório ocorria na sala da casa de Jéssica na manhã deste sábado (5), em Delmiro Gouveia, quando parentes tiraram o corpo do caixão e o colocaram em uma cama em um dos quartos do imóvel. Segundo a polícia, eles acreditaram que a jovem iria ressuscitar. A confusão de que um milagre iria acontecer começou, segundo a polícia, depois que familiares afirmaram ter visto o corpo de Jéssica se mexer no caixão. Além disso, uma tia da jovem, que é evangélica, teria feito um ritual com orações e pediu que a família aguardasse porque a jovem ressuscitaria às 7h de sábado.

 

A notícia de que a jovem estava ressuscitando “porque o corpo estava retornando a temperatura e não estava rígido” logo se espalhou na pequena cidade. Dezenas de pessoas se aglomeram na porta querendo ver o suposto milagre, e a polícia foi acionada.

 

O delegado Daniel Mayer foi até o local com uma equipe de policiais conversar com a família, que se manteve irredutível. Pouco depois, a polícia levou o médico Petrúcio Bandeira, que confirmou a morte já informada pelo hospital de Palmeira dos Índios. “A família disse que não deixaria levarmos o corpo para uma unidade de saúde para ser examinado, mas convencemos os pais da falecida a deixar um médico examinar o corpo. Trouxemos o médico e ele reforçou o atestado de óbito”, conta o delegado.

 

O médico Petrúcio Bandeira afirma que teve dificuldade de chegar ao corpo de Jéssica Lima, mesmo com a presença da polícia, porque a família acreditava que “um milagre ia acontecer como a tia da paciente falou durante as orações.” “Depois de muito conversar, tive acesso ao corpo e fiz umas manobras para identificar se a paciente foi a óbito, como analisar a dilatação das pupilas, a temperatura do corpo, que estava gelado, apesar de ainda não apresentar rigidez nas articulações”, detalhou o médico. “Não havia movimento toráxico, não tinha batimento cardíaco e esse conjunto aponta que o paciente está em óbito.

 

A parte religiosa não discuto, mas não há como contestar que ali se tratava de um cadáver.” Com mais de 30 anos de medicina, o médico disse que foi a primeira vez que viu a situação. “É um fanatismo religioso, porque não havia o que fazer ali para reverter. Esse caso é único por onde passei, por onde estudei, e minha preocupação é que esse corpo comece a emitir odor fétido e nem a família aguente o mal cheiro.”

 

O sepultamento aconteceu no Cemitério Adonias Mafra de Queiroz, bairro Novo, em Delmiro Gouveia. Foto: Andreson Cleyverson (Radar Notícias)

Apesar da contrariedade da família, ainda acreditando na ressuscitação de Jéssica, o enterro aconteceu às 17h (horário local) de hoje, no cemitério municipal de Delmiro Gouveia. Uma multidão acompanhou a cerimônia, porque a família da mulher acreditava que ela ressuscitaria mesmo no cemitério.

 

A família diz que vai fazer uma vigília no cemitério porque acredita que a mulher pode ressuscitar a qualquer momento. O UOL tentou falar com os pais de Jéssica, mas eles disseram que estavam abalados com a perda da filha e não iriam dar entrevistas.

 

 







12 pensamentos em “Em Delmiro Gouveia, mãe suspende velório de filha esperando por ressurreição; médico e polícia são acionados”

  1. Taí no que dá o fanatismo e os modismos que invadiram as igrejas de hoje! Antigamente os fiéis iam para a igreja para serem doutrinados e para louvarem a Deus; para serem testemunhas. Agora vão ouvir zoada e serem submetidos às mais variadas técnicas de arrancar dinheiro. Os bons, como sempre, se omitem e os malandros fazem a festa. Lamentável. O evangelho dos apóstolos era bem diferente.

    1. Isso é pra quem tem fé seus incrédulos, Deus fazendo ou não continua sendo Deus, como fé não é pra todos os incrédulos não acreditam que Deus faz milagre! Vão cuidar da vida de vcs!

  2. É muito triste ver como está matéria está sendo postada eu sou Diublan Alves também sou Radialista e respeito muito os meus companheiros de imprensa agora a falta de respeito a fé que temos no Deus que tudo pode é o que mais mim chama atenção digo isto com propriedade porque eu fui a pessoa que acompanhou todo caso da jovem Jessica Pereira des do momento em que ela foi internada ao dia do seu sepultamento encerro dizemdo que a nossa fé precisa ser respeitada

  3. As pessoas precisam ser educadas para a morte. Antigamente as pessoas nasciam e morriam em casa, hoje tratam esses dois fenômenos como coisa de outro mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

  • Telefone: 75 3281.9421
  • E-Mail: comercial@pa4.com.br
© 2015-2016. Todos os direitos reservados.